segunda-feira, 20 de outubro de 2008

"MEMÓRIAS DE BÁRBARA CABARRÚS"

Lançado no dia 18 de setembro passado meu primeiro romance (ou contos sobre o mesmo tema)- "Memórias de Bárbara Cabarrús", na Capitania das Artes. A protagonista, nascida no seridó do Rio Grande do Norte, no século XIX, 'descende' de uma família que realmente existiu na Espanha, e mais particularmente de Teresa Cabarrús, que aparece nessa ficção com outro nome. Por uma dessas coincidências (ou sincronias, como queria Jung) inexplicáveis, descobri no site do jornal El Pais, Madrid, que, poucos dias antes do lançamento de "Memórias...", havia sido lançado, naquela cidade, o livro "La Cinta Roja", da escitora e jornalista uruguaia/espanhola Carmen Posadas, justamente sobre Teresa Cabarrús.

Realidade e ficção se tocando...

"Memórias de Bárbara Cabarrús" está à venda na livraria do campus universitário-UFRN e na Siciliano do Natal Shopping, mas você pode adquiri-lo também com a autora. Mande um e-mail:
nivaldete@yahoo.com.br

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Pequena crônica de Montreal

Grandes extensões de um espaço branco pontilhado de um escuro amarronzado. Neve, muita neve. Neve são nuvens que resolveram experimentar o chão dos ditos seres humanos?... Ficam lá por dias, meses, de férias do ar. Endurecem, escurecem, recobrem objetos. De repente é o focinho de um carro que surge, como se fosse um animal de aço espiando quem passa. Às vezes uma bibicleta depenada, presa a uma grade qualquer. Árvores desvestidas e solitárias. Há uma que vejo da janela. Alta, forte, sem folhas. Porque sem folhas, sem pássaros que a habitem. Mas está lá, alta, forte, solitária, os pés metidos na neve, me ensinando alguma coisa. Talvez a capacidade de comunhão com as circunstâncias, sem murmúrios, só me deixando viver...
Se vamos para os lados do rio Saint Laurent, aparecem gaivotas. Elas soltam notas agudas, soltas, como se ensaiassem para cantar mais tarde (ou já estão cantando e eu, ignorante do canto gaivótico, acho que é apenas um ensaio?). São exclamações branco-sonoras no papel quase branco do céu. São recortes voantes desse céu...
Faz tanto frio... Mas um qualquer calor me esquenta a alma: talvez o calor da diferença, do estranho.
Menos dois. Mais dois. Que importa a temperatura?
Importa a experiência.
O sertão é aqui também, pois G. Rosa disse que "o sertão está em todo lugar". Sertão de gelo. Quem já viu?... Pois é... A neve?... Algodoais. Algodoais gelados... Algodão doce.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Flagrante de rua -2


Não maltratar os bichos já é uma forma de amá-los, mas poucas vezes vi cena tão tocante. Mais do que tocante: bem tocada. Em absoluto silêncio. Como quem toca o instrumento Coração -de onde vem a palavra cordial (cor, cordis). Por acaso fui saindo e ele, o carroceiro, estava lá, junto à calçada, ajeitando a flor vermelha na cabeça da égua que puxava a carroça do seu ganha-pão. A cena valeu por todo um tratado de amor pelos bichos. Ou só de amor... Assim mesmo: sem palavras.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Flagrante de rua -1


AN
DA
R I
L H O... AN DA RI LH O

O CAMINHO SOBRE
SI MESMO?

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Rosto


Era um rosto
Meio rosto
Ao sol-posto
Mas o rosto
Era
Nascente

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

COREOGRAFIA DAS RAÍZES



Verdade: nem sempre as raízes são
Profundas...

Elas também gostam
De dançar
Na superfície

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Chão lilás




Uma das visões mais bonitas da cidade de Natal é o seu chão periodicamente lilás. É quando os jambeiros começam a soltar aqueles fios de tom fortemente rosado. Lamento que varram esse delicado presente da natureza... Ao lixo os pedaços de papel, saquinho de pipoca, embalagens de biscoito, latas de cerveja, vasilhames plásticos, envelopes de contas, sandálias e bonés abandonados e tudo que a ignorância da sociedade de consumo joga nas ruas, como se as ruas fossem depósito de lixo. Mas os cabelinhos dos jambeiros, NÃO!... Desconheço o mal que fazem. Eles são o tule das calçadas, o batom das ruas... Talvez a alma da cidade que se materializa e vem generosamente ao chão...
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