domingo, 29 de março de 2009

O chocolate branco da ausência

Sim, pergunto: há alma na net?... almanet?...
Penso que sim. Ou melhor, sinto que sim.
Por acaso ou por sincronia, a gente acessa um blog, gosta do que vê lá, retorna, posta comentários, vai até lá outras vezes... E a coisa vai virando uma espécie de diálogo embaixo da árvore da esquina ou na esplanada da mesma cafeteria. Cria-se o ritual, para o qual a alma vai preparada, ungida no óleo da boa expectativa (ando um tanto religiosa, ao que parece... Mas deixo que as palavras venham livremente).
"Tudo é vivido pela primeira vez e sem preparação", diz Milan Kundera. A primeira leitura de um texto-blog é assim também. As seguintes se orientam pelas sensações dessa primeira.
Mas eis que não se encontra mais aquele blog... A gente clica, a página fica em branco e, embaixo, está dito: Concluído. "Então meu pc está com problema, só pode ser...". Testa-se com outros blogs e eles abrem, mas aquele, não. "Este site pode ter sido retirado do ar": aparece lá em cima.
Ahhhh...
Aí a gente sente falta. E se fosse criança, talvez dissesse:
-Mããããe! "A Pedra e a Fala" saiu do ar! Faça alguma coisa!

Porque mãe serve pra tudo, até pra dar jeito no que não pode.

E talvez a mãe dissesse:
-Ora, tudo precisa descansar, sair do ar um pouco, dormir... Depois volta com mais força. Enquanto espera, coma um chocolate.

Confesso que preciso de um.
Sem ser amargo nem meio-amargo.
Porque meio-amargo já está esse chocolate branco da ausência. Da netpágina em branco. Desse aviso "concluído"...

(Ou será intencional?..., como a música silenciosa de Cage?...
É pra a gente ler/ouvir o 'em branco'?...)

Seja o que for: concluído.
Por enquanto.

7 comentários:

  1. Você fez da "Ausência" um poema. Não me surpreendi porque sei da tua competência em trabalhar as emoções e dar-lhes vida pela palavra.
    No fundo, tudo tem a ver com a idéia da "permanência no fluxo": ausência e presença se intercambiam permanentemente, como tudo.
    O que importa, o que realmente dá sentido à vida é o que podemos fazer da e com nossas emoções.
    Obrigado, mais uma vez, por nos trazê-la tão perto.
    Uma bela semana pra você e os seus!

    ResponderExcluir
  2. não quero dizer muito pq muito aqui já foi preenchido. esse post é lindo. É. Isso.

    ResponderExcluir
  3. Estou com Sheyla: essa postagem é (docemente) linda.

    Beijos.

    ResponderExcluir
  4. Ohhhh... Geralmente quando a gente acha algo lindo é porque o lindo está dentro da gente... Você, Moacy, sem querer, virou uma espécie de ressuscitador deste blog... Foi por seu estímulo que voltei a alimentá-lo. Obrigada!

    ResponderExcluir
  5. Oi, Nivaldete!

    Faço minhas as palavras do Moacy: "essa postagem é (docemente) linda" :)

    Parabéns pelo belo blog.

    ResponderExcluir
  6. Olá Nivaldete! É com algum atraso que venho agradecer sua visita à nossa singela mas sincera taberna. Já conhecia o seu belíssimo poema-lamparina através da coletânea de Literatura do RN organizada pela Diva Cunha. Venho pedir sua autorizãção para publica-la na terceira edição do nosso jornalzinho lamparina. Grande abraço seridoense! WEscley J. Gama

    ResponderExcluir
  7. Acho que respondi, Wescley, mas já não vejo aqui o que disse. Então: claro que pode publicar minha lamparina. Fico muito orgulhosa de que ela possa levar sua luzinha tímida a mais gente... Parabéns pelo seu belo trabalho. Currais Novos é linda...

    ResponderExcluir

Escreva aqui na parede seu comentário. Venho ler depois.Obrigada.

Divulgue seu blog!
Informe o código: 956
Faça pontos, ganhe brindes