sexta-feira, 20 de março de 2009

O vendedor de cavaco chinês


Tili-lim, tili-lim... Corre, é o vendedor de cavaco chinês que vai passando!...
Ele abre o tambor de zinco ou de lata e puxa um pacote de cavaco. Quanto?... Um conto. Um real. Um conto real. Toma lá.
Ele fecha a lata e segue, tili-lim, tili-lim, tocando o triângulo rua afora, sua maneira de se anunciar.
Sempre achei o cavaco chinês parecido com uma hóstia gigante, com o perdão do sagrado. O sabor é suave, a textura é a de uma seda de trigo.
O 'homem do cavaco chinês' ainda existe, ainda sobrevive, neste mundo de fast-food, de entrega de pizza em casa, de vendedores de sorvete com seus carrinhos de grife.
Em Natal há uma família que produz, por gerações seguidas, essa pequena graça alimentícia. Na verdade, não chega a ser deliciosa nem é tão alimentícia. A delícia é outra. É o ritual, é o quase-não-existe-mais-cavaco, é o pressentimento de que ele desaparecerá e que aquele que acabamos de comprar pode ser o último que comemos.
O vendedor de cavaco deveria ser tombado como patrimônio cultural de Natal. Antes que o último deles venha a tombar com seu cilindro de zinco ou de lata, por uma rua dessas...
Natal tem coisas assim, maravilhosas e (quase) despercebidas.

10 comentários:

  1. Uma boa lembrança, uma boa postagem...
    Em tempo: gostei muito do seu livro;
    espero escrever alguma coisa a respeito na próxima semana; Ou na seguinte.

    Abraços.

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  2. Beleza, Moacy... Fico, como se dizia na Paraíba d´eu menina,fico desvanecida...
    Abraço.

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  3. Deliciosa a leitura do que escreve Nivaldete, com simplicidade e sensibilidade. Binômio que bem define seus textos.

    Rizolete

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  4. nas pegadas do balaio porreta, acabei chegando aqui - e gostei, dona moça!

    no interior de minas chamamos o cavaco chinês (novidade esse nome) de beiju - quem o vende anuncia sua chegada como aí em natal e também são cada vez mais raros... lembram-me infância, filhos pequenos...

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  5. Obrigada, Líria, por certo lírica... Sobre o cavaco chinês: ele é feito com farinha de trigo, tem a finura de um papel e gosto de quase-nada, mas é gostoso assim mesmo... E muito delicado. Se soltar, o vento leva... Quando aparecer de novo pela minha rua (ou qualquer outra), vou comprar e soltar uns ao vento, pra você... Rsss... Abraço, amiga.

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  6. Ah, também gostei desta postagem... adorei, Nivaldete; coisas como estas devem ser lembradas sim, pois como você mesma disse: " Antes que o último deles venha a tombar com seu cilindro de zinco ou de lata, por uma rua dessas...", para que se dê a devida atenção ao que chamamos de "preservação da cultura".
    Beijos!!!!

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  7. Acabei de descobrir em um vídeo antigo no youtube como foi criado o trio da sanfona (Acordeon, zabumba e triângulo)

    Luiz Gonzaga juntou o triângulo com a zabumba após ver um vendedor de Cavaco Chines!..

    o que segundo ele fechou o casamento com a zabumba..

    Fonte: Luiz Gonzaga - Arquivo Trama/Radiola 03/11/08 > youtube

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  8. Obrigada, Walter. Uma surpreendente e rica informação.
    Um abraço.

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