sexta-feira, 13 de março de 2009

A pedinte

Sentada na calçada de uma loja na rua João Pessoa, a pele de um moreno-chocolate, uma criança no peito -signo pra comoção-, ela pedia com voz de Alberta Hunter: umesmolapelamordedeus!
Por mais que eu quisesse ouvir as palavras, só conseguia ouvir a voz.
E imaginei aquela mulher no teatro Alberto Maranhão ou num show a ceu aberto, num descampado, num acampamento, numa igreja, numa feira, num estúdio...
Sim, ela tinha o poder de não pedir, tinha o poder de oferecer, mas estava ali:
-umesmolapelamordedeus!

Pensei comigo:
-Vá cantar, Alberta Hunter! Você não precisa de moedas.

E me lembrei de Amália Rodrigues, que foi 'descoberta' cantando pregões pelas vielas de Lisboa:
-Olha o limão! Quem vai querere?...

E fico pensando nos que são pedintes de alguma coisa, quando tem lá seus tesouros ocultos...

Um comentário:

  1. Oi, um bom texto, minha cara. E postei um poema seu no Balaio de hoje.

    Um abraço.

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