quinta-feira, 2 de abril de 2009

A cor da solidão


Um lugar longe, muito longe, num ponto bem alto.
Estranha tarde fria de sol aberto.
Tarde impossível, aberta de sol frio, mas estava acontecendo,
e as coisas agoniadas se demitiram.
Existia o arvoredo do silêncio, que às vezes falhava/farfalhava quando vinha o vento.
Separei-me do pequeno grupo como quem vai beber água e volta já. Que certas circunstâncias exigem solidão, para que fiquemos mais receptivos aos extraordinários do mundo.
Enfim, lá estava a construção medieval, espécie de alma material do tempo dito histórico. Toquei as pedras, pensando nos que as puseram lá, por ordem de algum rei cioso de seu território (do rei não quis saber o nome, porque basta este: rei, como nas histórias da infância. Era uma vez...).

A paisagem ao redor, o lá-embaixo, vazio de outras construções. E tudo redondo, redondo.
Depois, foi o sol descendo, feito bola que um menino chutou com força para o meio do mundo e deu as costas.

Mas meu olho corria mesmo era para a poderosa solidão, rainha despossuída daqueles descampados, sem solfejar desejos ou memórias de domínios, livre, silenciosa, plena. Um ente aberto e sem pensamentos, fazendo companhia a si mesmo.

E azul...

Sim, confirmei: a solidão é azul.

Eu já havia percebido isso quando olhava uma serra pra lá de Nova Palmeira -onde nunca houve castelo mas houve rei: aquele das histórias que minha avó contava.

(Imagem: trabalho de Regina Guedes, em cerâmica vitrificada. Foto da autora do blog)

7 comentários:

  1. oh Nivaldete! obrigada por me levares onde eu já quase não acreditava que pudesse ir... Bem hajas!

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  2. Sincronicidade?
    Escrevi um texto azul, pretensamente azul.
    Osue tem a marca da genialidade. O talento. O dom.
    Bom final de semana.
    Abraços.

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  3. Oh, Bosco... Deve ter sido uma sincronia mesmo! Não acessei seu blog depois daquele poema da pedra, por falta de tempo. Vou ver. Devo dizer que não me surpreende tanto esse fenômeno. Coisas assim costumam (me) acontecer, quando as energias são convergentes, mas é raro. Fico emocionada -é o que de melhor posso dizer... Bom domingo! E uma semana 'sumaimana' (na língua quéchua (índios do Peru)quer dizer 'mais lindo do que o lindo'. Joguei com os sons...

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  4. Não estaria na hora de uma nova postagem não?
    Ah, sim:
    não gostaria de participar da enquete DEZ POETAS POTIGUARES (por ordem cronólogica, alfabética, qualitativa, aleatória etc.), em sugestão do Substantivo Plural? Você pode mandar sua lista para o próprio Substantivo ou para o emeio balaio86@oi.com.br

    (Um abraço)

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  5. Oi, Moacy!... Outra postagem... Não é fácil postar 'a miúde' assim... As praticidades do cotidiano... E é preciso que o 'assunto' venha... Vou encaminhar meus 10, sim... Só um tempinho enquanto penso (você por acaso ouviu falar de um poeta chamado Adriel Lopes Cardoso (da família e xará do outro Adriel Lopes Cardoso...)?... Eu tinha um livro dele, não sei por onde anda. Gosto de descobrir esses ocultos... Um abraço, Homem do Balaio!

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  6. Antes de chegar ao fim da mensagem iria escrever: a solidão é azul eheh

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