quarta-feira, 27 de maio de 2009

É preciso ser gentil com a dor pessoal também


Estou aqui me lembrando do Profeta Gentileza, aquele homem barbudo lá do Rio de Janeiro, vestido com uma túnica, escrevendo mensagens de amor em pilastras da cidade e pregando isso mesmo: a gentileza.

Tornou-se praticante e defensor público das atitudes gentis a partir de uma contingência dolorosa: ao saber do incêndio do Gran Circus Norte-Americano, em Niterói, perto do Natal de 1961, pegou um de seus caminhões e correu para ajudar a salvar pessoas.
Viveu sua epifania naquele momento. Como um cego de repente vê...
Nunca mais foi empresário de transportes... Plantou flores no lugar do incêndio. Tornou-se um andarilho da paz, um "louco de Deus", transportando agora apenas estandartes com palavras de amizade.

Então me ocorre pensar que precisamos ser gentis com a nossa dor também. Deixar que atravesse o nosso corpo sem tentar sufocá-la e sem nos apegarmos a ela.

A dor pode ser escura, mas o sol é teimoso como a água: acaba entrando por uma fresta mínima...

É... Essa talvez seja a gentileza mais difícil...

7 comentários:

  1. um abraço muito apertado
    bem haja

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  2. Em várias ocasiões, encontrei Gentileza na Praça XV, aqui no Rio. Sem querer desfazer o mito, ele era extremamente conservador em relação aos costumes. Ficava furioso, por exemplo, quando via uma mulher de minissaia.

    Um abraço.

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  3. São as contradições, Moacy, dos seres humanos. Fazer o quê?... Fiquemos com a gentileza com ou sem minissaia...

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  4. Parece mais fácil ser gentil com outrem. A "competência" é de outra ordem. Ou não. Gostei imenso (também) desse texto.

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  5. É, às vezes (ou quase sempre) somos brutos com a nossa dor... Ou a anestesiamos com alguma coisa fora de nós...

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  6. Às vezes (ou quase sempre) somos brutos com a nossa dor, por mais fragilizados que estejamos...: não a acolhemos até que se vá, livremente...

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  7. Eu morrerei quando a dor passar. Doam-se os vivos.

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