sábado, 11 de julho de 2009

...fui olhar Júpiter e já venho


esses tomates..., espalhe por aí, lave o rosto com esse licor, transforme essas toalhas em pássaros e solte pela janela, esses livros -ponha pra dormir, essas roupas: forre o chão com elas. essas contas, ponha na água que ferve, esse relógio, derreta como Dali, se descalce, passe de uma margem à outra de olhos fechados, seja sem palavras: recém-nascido, apenas grite dentro d´água na travessia salgada e ardente, eu não espero do outro lado, eu não espero, quem deve esperar você, agora, é você!

não volte normal, não volte com os mesmos cuidados, não volte com as regras polidas, não volte como quem reaparece, não volte com caixas do passado nem com mercados de futuro, não volte num falso 'neo' de recém-analisando, não volte, não volte...

se for possível, apenas venha...

se eu não estiver, é que fui olhar Júpiter e já venho.

11 comentários:

  1. Li, reli, tornei a ler. Em outro momento, já sem medo ou desassossego. Ainda assim, gostei. E você sempre surpreende no final. Vou copiar, 'tá? Feito oração.

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  2. Obrigada pelo retorno tão bom, Ridan! Um abraço.

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  3. Francisnaldo Borges22 de julho de 2009 23:21

    Fascínio à cada linha: "quem deve esperar você é você", "relógio, derreta como Dali". A poesia está na prosa. Venha a minha casa da serra, que por aqui tem chuva e arco-iris, rede armada e doce de coco. Saudades.

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  4. Ohhhh! Que belo convite... Nas postagens mais antigas há uma falando de "doce de coco com pássaras"... Beijo!

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  5. Francisnaldo Borges1 de agosto de 2009 23:47

    Hoje amanheceu de serras fumaçando: diziam "cachimbando", névoa-neve-nave dos deuses. A visão glacial derrete-se: raios de-sol-verão.

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  6. Francisnaldo Borges26 de agosto de 2009 22:24

    Nesse dia tivemos que almoçar às pressas, por que já escurecia: o sol estava sendo engolido pela lua. Tudo era visto à meia luz (ou meia lua).Viam-se os astros passeando no céu. E ninguém explicava bem o que era. Mas lembro ter ouvido a palavra eclipse. "São sinais do fim do mundo" - disse um vizinho. No início do século XX até se ouviu canto de galo,recolhendo suas esposas ao poleiro,acendeu-se fogão à lenha e lampião de gás, de tão escuro que ficou. Aquelas horas de trevas se transformaram em espetáculo. E os astros também copulam.

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  7. Demais! "Os astros tembém copulam"... Só sendo poeta, mesmo...

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  8. Francisnaldo Borges27 de agosto de 2009 20:25

    Por'aqui,qualquer sinal noturno clareando o céu, dizem: "isso vem da 'Barreira do Inferno'", apontando para Natal-RN. Pode cair espaçonave, simplificam: "é foguete"... Mas se no inverno um vaga-lume passar por alguém: " disco voador"! Estudantes da região garantem que foram perseguidos por OVNIs: objetos voadores, desbravadores de galáxias. Noite dessas, depois da Serra Aguda, município de Nova Palmeira-PB, um fusca a 60km/h desce a ladeira e uma luz de cor vermelha, esférica e pequena, pousa à frente do automóvel e não se deixa ultrapassar. Mas a 300m resolve decolar e se alonga, cria calda de foguetão e vem por cima do carro. O motorista ficou te(n)so e o passageiro perplexo, indaga: "viu a luz"? Responde intuitivamente: "Isso são fogos, que vêm da festa de Pedra Lavrada-PB". Quer dizer: ilusão de ótica, magnetismo, oscilação de raciocínio. "Há mais mistério entre o céu e a terra"...

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  9. Francisnaldo Borges27 de agosto de 2009 23:49

    Era claro de pouco sol e a luz era cor de prata. Na estrada que liga Barra de Santa Rosa-PB ao Brejo paraibano, há quatro anos atrás, viajam duas pessoas. Depois do trevo de Cuité-PB, um sinal luminoso, em forma de folha prateada, começa a se mexer, saindo do interior da terra seca, sem se avistar cristais ou objeto metálico como justificativa. E começa a ganhar altura, multiplicando-se, formando hélices revoltas, inventando ventania na planície. Tinham flexibiliade e delicadeza de seda, muito pouco de alumínio: vieram dançar balé na capoeira,povoada por agave. Se fossem avermelhadas, seriam labaredas de coivara ou despertar de vulcão. À beira-mar, seriam veleiros. Mas, aos poucos, vão-se reduzindo, se enterrando onde nasceram. Quem não dirigia adiantou-se: "Viu aquilo?" "Sim", disse a mulher, no volante. Depois seguiram mudos porque não se iludiram.

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  10. Isso é ficção ou foi de vero?...Fiquei curiosa!
    Abçs

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  11. Francisnaldo Borges28 de agosto de 2009 10:07

    Quando o aeroplano despontou na serra, voando baixinho, também disseram que era coisa do outro mundo. Mas era coisa de político sobrevoando o eleitorado: chuva de bandeirinhas e vassouras de Jânio. Antes foi um carro chamado "baratinha", que se encobria na poeira, fazendo muita gente correr mato a dentro. Qualquer dia (futuro próximo)iremos a Marte.

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