terça-feira, 7 de julho de 2009

Loja de inconveniência



De repente encontro você na loja de conveniência... Às vezes acontece assim: apresso-me para sair, como se tivesse um encontro marcado e o relógio mental dissesse que estou atrasada. Você, com uma cara de sapato molhado, sem jeito, pedindo uma ponta de sol, como aquela que nos acordou algum dia. Parte do meu chocolate derreteu na boca, enquanto a outra caía da mão. Você se abaixou rápido, num gesto de quem vai salvar um pequeno tesouro. Um cuidado tardio de quem, antes, se distraiu por muito mais. Muito mais?... Pensando bem, que muito mais?... Quando se vive algo denso, não há muito mais. É isso, foi isso, só isso. Experiência de montanha russa num parque imprevisto. Ou de acordar num deserto, agulhas de areia impedindo que se abram os olhos e assim mesmo ri-se. Muito mais é aquele pedacinho de chocolate que você tentou salvar. Esse salvamento foi uma salvação definitiva.
Em segundos, a loja ficou inconveniente para nós.

4 comentários:

  1. Ah, que delícia! Há muita sutileza e singularidade. Gostei tanto do final... Muito bom!

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  2. Obrigada! Espero continuar postando textos que lhe agradem sempre...

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  3. Já tinha passado por aqui, mas havia me esquecido de registrar minha presença hehe, mas já que os comentários são o termômetro dos blogs, vou me pronunciar. Nesse texto logo se percebe a alma de romancista. Narrativa envolvente que diz mais do que diz, ou deixa a gente imaginar, não sei. O texto cresce na gente enquanto lemos, assim deve ser tudo que possui poesia.

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  4. Bem-vindo, Renan! Obrigada pela visita. Fico feliz por ter um leitor refinado como você, que sabe ler nas entrelinhas. A narrativa, em vez de se 'completar', mantém-se aberta (portas que o leitor abre), desdobra-se... Como a vida. Ela tem tantas possibilidades...

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