quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Mais Bachelard: o vegetalismo humano

"O homem, em seus grandes signos, possui valor cósmico. Todo grande valor estético do corpo humano pode colocar sua marca sobre o universo. Uma cabeleira prova isso aqui. (...)
Então, ao sonhador cósmico, ao sonhador que completa e aumenta qualquer imagem, são revelados os valores cósmicos da cabeleira. As mais loucas metáforas são verdadeiras. A cabeleira é uma floresta, uma floresta encantada. Os dedos nela se perdem numa carícia infindável. Ela é moita, é cipó. É adorno, obra-prima feminina. Eis o vegetalismo animal, o vegetalismo humano, o tão profundo vegetalismo da mulher. "




IMAGEM: http://clubedolivro.files.wordpress.com/2009/01/gaston-bachelard.jpg

12 comentários:

  1. Seu texto, ao complementar o de Bachelard, é de uma felicidade que faz gosto (como se diz aqui no Ceará).Bom estar de volta, Poeta!

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  2. Bacherdad: a poética do bem dizer.
    Gostei do texto.
    Do texto, gostei.

    Um abraço.

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  3. Bosco e Moacy: bom sentir a brisa da passagem de vocês por aqui... Impossível não gostar do Bachela... Grande abraço!

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  4. Francisnaldo Borges14 de agosto de 2009 23:13

    Palavras têm poder, o que não é somente bíblico. Lembrei-me de um fragmento poético: palavras (benditas ou malditas) ficam girando, em órbita,cavalgando nos astros. Aviso: se quer voltar atrás, arrependido dalgumas falhas, nem a NASA fará esse resgate textual, porque o registro é cósmico. "Tudo dito / fica escrito / nas páginas do infinito"...

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  5. Homem que sonhou com botija, marcou encontro com o desconhecido na porta do Mercado São José, em Recife. Impaciente com a demora da suposta pessoa do além, ouviu a voz de um camelô: "o senhor espera há tanto aí parado, posso lhe ajudar? "Fui avisado que minha sorte estava aqui no mercado. E vi de muito longe". Tirando-lhe as esperanças o camelô é rápido: "eu também já sonhei com isso. Há pouco tempo voz me disse que tinha um tesouro debaixo de uma pedra, onde uma cabra nativa costuma dormir..."Isso é ilusão mesmo" - repondeu o viajante,indo direto pra antiga rodoviária do cais, porque esse cenário era exatamente no seu sítio. As referências estavam lá: a pedra, a cabra e um caixote pesado de patacas de ouro.

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  6. Interessante. Intrigante. E acho tudo possível! Até gosto dessas estranhezas, pois me cansa essa racionalidade esterilizante em que vivemos lançados... Obrigada por vir aqui contar... Um abraço.

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  7. Conheço bem aqueles aceiros de cais. Meus olhos matutos tornavam-se citadinos, inventando viagens pelo mar. Andarilho das águas, o navio vai escrevendo sua solidão. "Invento um cais, invento em mim o sonhador"...

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  8. Terra-esfera espacial, pista-pouso de pássaros lunares. O ar está pesado de seres apocalípticos, que invadem a privacidade e a paz celeste. É tempo perdido: o que eles vasculham não se avista. Quem desbrava o universo são robôs que tornam-se lixo. Homem apenas passeia: vai alí na estação MIR e volta com medo de altura. Homem, para quê voar?

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  9. Oh... essas coisas... tâo bonito o que você diz... obrigada pela visita.

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  10. Francisnaldo Borges17 de agosto de 2009 16:17

    Gosto da misticidade de Bachelard. Por isso que eu reduzo a terra sem precisar de ônibus espacial. Não consigo ser somente terrestre, se posso e tenho todo o cosmo pra desvendar: eu sondo(a). Vou deixar de ser anônimo (risos).

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  11. Você, anônimo... Impossível! Mesmo quando não põe seu nome... Obrigada, belo!

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