segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Criança/criar



Sou duas
sempre que me olho
no espelho

quando saio

a outra vai
pra onde?


*

A luz é uma água
amarela e seca

clareando

a cara das coisas...


(in Psilinha Cosmo de Caramelo, 1997 -infantil (?), Menção Especial em concurso da União Brasileira de Escritores-1997)

..............

Escrever, em ficção ou poesia, e seja para quem for (criança ou adultos, nós mesmos... ou para ninguém...), parece exigir que passemos do "eu devo" ao "eu quero", até chegarmos à "criança", como sugere Nietzsche, ao falar do Espírito das Três Transformações (Assim Falava Zaratustra). O camelo é o que se limita aos deveres, à obediência, e disso se orgulha. O leão inventa seu caminho, anda só, ruge os seus desejos, combate. A criança é o estado de inocência, "a roda que gira em torno de si mesma". É, por assim dizer, a falta de lembranças, um dar-se a si mesmo, uma entrada na zona do Criativo, sem medos, sem autovigilância castradora. Sem obediência nem combate.

Essa psicanálise alegórica não é uma receita de como se escrever -principalmente para crianças. Pois receita não há.
Mas talvez ajude a entender os movimentos necessários à 'autopermissão' para criar, em qualquer linguagem, em qualquer área.

Criança é zen. Criar também.
Criança lembra criar, como bonança vem de bom.

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