quarta-feira, 14 de outubro de 2009

nem ela sabe


Para Sheyla Azevedo
.
.
por que será que uma mulher chora sem motivo aparente?
talvez porque um passarinho comunicou-se com ela, na hora de morrer
talvez para dissolver um pouco a solidez das coisas
talvez por saudade da não-existência que a precedeu
talvez porque o barco de papel não esperou por ela, naquele dia em que choveu na infância
talvez porque
talvez


nem ela sabe
se soubesse talvez nem chorasse

11 comentários:

  1. Olá, Nivaldete.

    Vim te convidar e agradecer também o comentário na minha página. volte sempre e traga os amigos.
    Parabéns. O seu trabalho também é lindo.

    Obrigado de novo.

    Daniel Amaral
    PS: Já estou te seguindo

    ResponderExcluir
  2. Oi. É o Daniel de novo.
    Vamos trocar links?
    Tchau.

    ResponderExcluir
  3. É bom não saber sempre, não é? Caso contrário, as lágrimas perderiam aquela doçura de coisa sentida e deixaríamos de saborear o gosto salgado de seu mistério... Abraços.

    ResponderExcluir
  4. Olá, Daniel! Claro, vamos trocar links, sim... Vou seguir seu blog... É um prazer.

    Maria Teresa, é... Nossa cultura quer explicar tudo, mas há coisas que apenas acontecem e parece que tem mais sentido quando não o tem, paradoxalmente. Você entende... É sensível bastante para isso. Um beijo!

    ResponderExcluir
  5. Nivaldete, isso é dolorido. E bonito de ler e sentir. "Dissolver um pouco da solidez das coisas": é isto. Também.
    Obrigado.
    Abraço grande.

    ResponderExcluir
  6. "Ahnrnn" - foi algo assim meio onomatopáico, suspiro que vem de fora para dentro, acertando meu coração, que ficou aos pulos. De distraída a boquiaberta. Cheia de sorrisos e dedos e, de repente, da poesia da minha Diva (já disse que seu nome tem um quê de Diva para mim...)

    Bela maneira de se começar o crepúsculo dessa segunda-feira 19 de outubro. Tardiamente displicente da sua poesia, me curvo, me encontro.

    um beijo minha constante inspiração,
    S.

    ResponderExcluir
  7. Mas foi você que provocou esse texto, com aquele seu..., lembra?..., justo sobre uma inexplicável vontade de chorar... Dediquei porque assim tinha de ser... Boquiaberta fico eu, com uma receptividade tão além do oferecido... E belamente estimulada. Sei nem mais o que dizer... vou tomar um cafezinho... Beijo!

    ResponderExcluir
  8. Lindo, Nivaldete! Encantador...

    Como é bom te ler!

    Parabéns, linda!

    Beijos
    Cláudia

    ResponderExcluir
  9. Esse poema se aprofunda no inconsciente coletivo.Bjs

    ResponderExcluir
  10. "A noite caía
    Lenta, sem alarde,
    E sem o reflexo
    Vivo de uma estrela...

    Eu cheguei mais tarde.

    Nem rastro da luz dormente da Lua,
    Nem som de cantiga distante ou perdida,
    E eu tremia todo de medo e de amor.

    De quem era a culpa?
    Da moral? Da vida?

    Mordi os seus braços:
    Ouvia o bater do seu coração.

    Qualquer impressão ou vago rumor
    Nos punha indecisos, e em silêncio, mortos
    Numa inquietação...

    Ouviu-se falar:
    -É gente; são passos...

    Dissemos adeus,
    Mas, não era nada!

    Voltámos de novo;
    -Mais um beijo ainda!

    Depois...
    Sem saber porquê,
    Chorámos os dois."

    António Botto

    ResponderExcluir
  11. Belo poema... Complementou a escrita muito bem!
    Obrigada, um beijo.

    ResponderExcluir

Escreva aqui na parede seu comentário. Venho ler depois.Obrigada.

Divulgue seu blog!
Informe o código: 956
Faça pontos, ganhe brindes