domingo, 15 de novembro de 2009

estranho invasor do meu quintal

quando vi, estava lá, vindo do quintal pelo beco, rumo à porta da cozinha. Veio se estirando, se arrastando pelo chão que nem cobra, crescendo como monstrinho de filme de terror. Eu quis correr. Ele dono do beco. Roupa verde com manchas embranquiçadas e flores amarelas. Tomou de algum surfista?...
Continuou avançando na minha direção, numa terrível ameaça silenciosa, esse invasor poderoso que me hipnotizava. Dentro de mim escutei a ordem: não falar nada a ninguém, não gritar, não chamar os vizinhos, muito menos a polícia. Que ele não me faria mal.

Fechei a casa e só voltei no dia seguinte. Chamei alguém para verificar comigo sinais do estranho.
Ele continuava lá, agora a um metro da porta da cozinha, prestes a entrar, andando tartarugalmente, do jeito mais amedrontador possível. Lembrei-me das histórias de monstros que a minha avó contava... Esse ali, tão real. E eu, sinceramente, já gostando da presença dele, assim, entre temor e começo de amor...

Falei baixinho à pessoa:
-Sequer posso ir ao quintal... Ele ocupou todo o espaço... E como está sobrevivvendo?... Aí é só cimento... Deve ter comido terra... e está com sede...
Por fim, falei alto:
-Que vamos fazer com esse pé de jerimum?!...


8 comentários:

  1. olá Nivaldete!
    conheço tão bem estes sentimentos! :)
    um grande abraço

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  2. Que meiguice de mostro, Nivaldete!! Flor brotando do asfalto lembra vida cheia de poema, lembra Drummond. Sorte desse quintal!
    Beijos.

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  3. Ótimo poder partilhar meu monstrinho verde com vocês... Ele continua a avançar... É nosso, agora!
    Beijos.

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  4. coisas inesperadas costumam trazer o frescor das surpresas... bjinho

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  5. Lindo, amiga. Prendeu a minha atenção até o fim. Bom apetite. Afinal, somos todos ou quase todos papa-jerimuns. Abração.

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  6. Lindo, amiga. Prendeu minha atenção até o fim. Bom apetite. Afinal, somos todos ou quase todos papa-jerimuns. Abração.

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  7. Pia,tenho de concordar com você. Esses pequenos inesperados são grandes fenômenos para a percepção...

    Paulo Jorge, sua observação final me fez pensar nisto: meus filhos são papa-jerimuns; eu, não..., até aparecer esse pé de jerimum no meu quintal e vir avançando, ameaçando entrar na cozinha (tinha de ser aí!)... Então agora sou papa-jerimum, abençoada pelo próprio!... Valeu! Obrigada.Um beijo.

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  8. E eu jurava que fosse um camaleão, outro réptil (risos). Mas, pé de jerimum também se estende, invade e se arrasta devagar. Gostei muito.

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