quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

homem do amor

Tantas religiões, tantos livros de ensinar a amar-inclusive os bichos, tantas frases célebres sobre o amor, tantos poemas, tantos crimes e sacrifícios em nome desse sentimento e, de repente, vê-se o amor em ato, generoso, autêntico, sem teorias, sem palavras.

O homem não era nenhum monge budista, nenhum pastor/empresário de alguma igreja, nenhum gritador do nome Deus em praça pública.

Era um carroceiro -e dele já falei aqui, numa das primeiras postagens deste blogue. Mas eis que sua imagem retorna à minha mente, neste período em que chovem mensagens de paz e amor e as lojas festejam faturamentos aumentados.

Ao sair de casa, percebi o homem junto à calçada, ajeitando calmamente uma flor vermelha, de plástico, na cabeça da égua que puxava a carroça já vazia. Pareceu uma forma de amoroso agradecimento. Ou era um cuidado rotineiro.
A mulher esperava, junto ao muro. Também fiquei esperando... O que, exatamente, não sei. Foram instantes de absoluta ignorância, daquela ignorância boa que demite todos os conceitos aprendidos, que nos deixa absolutamente inocentes, como se estivéssemos no mundo pela primeira vez. Algo que aconteceria ao cego de Rudin: "É preciso ver como um cego veria se, de repente, pudesse ver".

Foi assim. Nada glamuroso, nenhuma conferência com uma sumidade internacional, defensora de um princípio para mudar conceitos e salvar da violência e do egoísmo a humanidade. Ou da tolice.

O carroceiro talvez até fosse analfabeto. E se tivesse diante de si um repórter de TV, provavelmente baixaria a cabeça, sorriria sem jeito, iria embora em silêncio, sem entender o que lhe perguntavam nem por que lhe perguntavam.

12 comentários:

  1. Sensível, como você. Parabéns. Belo texto.

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  2. Fico feliz pelo eco do texto em seu coração também sensível. Um abraço.

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  3. Querida Nivaldete:
    Esse é o verdadeiro sentido do Natal: pensar o outro, ver o outro.
    Beijos carinhosos.

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  4. Fico feliz pelo abrigo bom dado por você a esse registro de uma cena de rua... As coisas mais significativas são, às vezes, aquelas mais anônimas. Grande abraço, Teresa.

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  5. "A flor na cabeça da égua": o ato em si, é irônico, mas o carroceiro o fez de cor(o)ação.

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  6. Sempre uma grata surpresa passar por aqui. Você parece ser o que escreve. Simples, profunda, densa, bonita. Gosto do seu olhar sobre as 'coisas' do mundo.

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  7. É isso, Nivaldete. Faz tão bem a pessoas sensíveis quando vê uma cena como essa. Um ato de ternura daquele homem humilde, provavelmente analfabeto, mas que é capaz de gestos assim. Um abraço.

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  8. Que lindo! Ver esses momentos pelo seus olhos dá um significado tão belo à vida.

    Mateus.

    P.S.: Reenviei o e-mail apenas hoje, pois só vi o comentário em resposta hoje. Espero que dessa vez tenha chegado (mandei 3 vezes por segurança)... :D

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  9. Amiga.

    Tenho visitado pouco o sue Blogue, também acho que nos conhecemos há pouco tempo.
    Espero voltar muitas vezes...

    Adorei, esse é o verdadeiro espírito do Natal.

    Que o seu seja abençoado.
    Beijos

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  10. Nivaldete:
    Volto aqui para lhe desejar um Santo Natal. Que em 2010, até nossas escolhas banais e fortuitas nos conduzam a um mundo mais harmonioso, bordado com os propósitos altruístas de cada um de nós.
    Beijo carinhoso,
    Maria Teresa

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  11. Um gesto de amor é sempre bem-vindo ao olhar de quem vê (e aqui nesse blogue, para quem lê).

    Que o amor continue a prosperar por aqui, minha flor!

    beijos, S.

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  12. Obrigada a todos vocês! Sempre recebo aviso de comentários, mas ultimamente, não... E passei uns dias sem poder abrir o blogue. Fiquei alegremente surpresa pelas visitas. Um beijo e um abraço a vocês. Que 2010 traga boas surpresas e muitos contentamentos!!!

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