segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Lembrando outra vez: 50 anos de O Arado, de Zila Mamede

Zila Mamede (1928, Nova Palmeira-PB /1985, Natal-RN) publicou o terceiro livro de poemas -O Arado- em 1959. Portanto, há 50 anos (quando também foi nomeada bibliotecária da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, cuja biblioteca leva seu nome, hoje). Dedicou esse livro à memória do avô e à terra onde nasceu: "terra mãe, fonte raíz, chão do meu chão".

"... Era uma fazenda, uma vila, hoje é mais um município brasileiro, mas não é como município e, sim, como sítio do meu avô que permanece na minha geografia sentimental."

A casa do Alto, hoje.
Visão do terraço.


Zila em visita à casa do Alto (década de 1980?)


Também minha terra de nascimento, lá estive há um mês, mais ou menos. E fui visitar a casa do Alto Branco, onde morou seu avô (e meu bisavô). Por ser verão, da terra brotam cactos, macambiras, juremas. A casa está restaurada, uma caixa d´água azul aponta do telhado. Do terraço, acrescentado depois, vêem-se as serras longínquas, paixão do meu olhar.


Os milharais de Zila, ah... Retornarão, talvez, no próximo inverno. Talvez... Porque tudo mudou. Nova Palmeira tem minérios. Sempre teve, e agora exporta-os ( isso me traz uma lembrança: quando eu era criança, costumava passar lá, todos os sábados à tarde, uma camionete vinda de Campina Grande. Era 'seu' Limeira, que vinha comprar pedras -shelita, colombita, berilo... Trazia uma maquininha que detectava urânio, dando um sinal verde. Sim, urânio, aquilo que se utiliza em armamento bélico e que Tio Sam, dizem os mais informados, mandou buscar no nordeste brasileiro, na Segunda Guerra).

Convenhamos: nada poético...
...

Melhor é ler um poema de Zila Mamede:

O Alto (o avô)

Dum anteavô tivera na colina
os alicerces, que de avô ganahara
açude, pastos, farinhada, chão.

Guardara na cacimba os aguaceiros
e de seu sono sacudira ovelhas,
meninos, maravalhas, plantação.

Multiplicara à mesa concha e mel:
moinhos que teceram do amarelo
de tanta espiga, madrugada e pão.

Em campo arado repartira mudas
que mãso infantes modelaram sob
plantio manso e vesperal de grão.

De terra e de meninos comporia
(na velha bolandeira da tapera)
essa marca de suor numa canção.

(in
O Arado, reunido, com outros livros, em Navegos, 1978)

Veja imagens de Nova Palmeira:

Um comentário:

Escreva aqui na parede seu comentário. Venho ler depois.Obrigada.

Divulgue seu blog!
Informe o código: 956
Faça pontos, ganhe brindes