sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

"... esperando que alguma coisa divina aconteça"



Li, faz tempo, uma entrevista de Jorge Luís Borges em que ele dizia "...e a gente vai vivendo e esperando que alguma coisa divina aconteça...".

Parece que é assim, às vezes. E às vezes "alguma coisa divina" acontece, mas o milagre nem sempre é percebido, vivido, parecendo um presente que se deixa cair da mão. Ou quando é vivido, queremos reter. Mas não se pode reter um acontecimento, como não se pode prender um rio nas mãos.
Fica, no entanto, o espírito do acontecimento, seu efeito, o aroma dessa espécie de visita boa à nossa casa interior.
O segundo milagre: a visita, em vez de ir embora, dissolve-se dentro...
Então permanece.

13 comentários:

  1. A partir de Borges, um bom texto. "Curto e grosso", para usar um velho jargão jornalítico: ou seja, "pequeno e direto".
    E arte digital que o ilustra é de sua autoria?

    Um beijo.

    ResponderExcluir
  2. Sim, Moacy. Também me 'astrevo'/a(r)trevo por esse campo. Fiz outro blogue para só pra fotos, mas há muitos dias não o alimento: http://fotoemagia.blogspot.com/

    até me inscrevi, faz algum tempo, no site de arte digital que tem no seu blog...

    Feliz pela visita.Beijo pra ti também.

    ResponderExcluir
  3. Todo o contexto é interiorizado. O milagre acontece, mas se quer coisas a mais. A resposta divina, às vezes, não vem em 100% para alimentar ansiedade. Fica, portanto, "o espírito do acontecimento", que mesmo sendo 20%, aconteceu, mas não foi percebido. Belíssimo texto. Bjs

    ResponderExcluir
  4. Nivaldete:
    Gostei muito da caracterização dos momentos de epifania; no entanto, gostei mais ainda de constatar que, aparentemente efêmeros, eles se dissolvem por dentro. Coisa divina mesmo.
    Beijos

    ResponderExcluir
  5. Borges, acho que vai a 100%, até a 1000%... A nossa disponibilidade é que pode reduzir os limites do fenômeno. Talvez seja assim, amigo... Um beijo.


    Maria Teresa, ótimo ter também você como leitora. Há sempre um eco bom nas suas palavras... Beijos.

    ResponderExcluir
  6. Essa imagem arrasta o olhar, como se uma estrela fosse engolida no infinito. Abç

    ResponderExcluir
  7. E foi 'gerada' meio que por acaso, Borges... Mas nela há realmente algo que puxa... Que seja para um ponto bom! beijos.

    ResponderExcluir
  8. Os sinais do cosmos vêm e vão numa misteriosa dança acrobática.
    Mesmo sem percebermos dissolvem-se nas cinzas do inconsciente.
    Ótimo texto, amiga.
    Abs.

    ResponderExcluir
  9. Obrigada pela visita,Paulo.Você também sempre acrescenta... Abraço.

    ResponderExcluir
  10. Toda vez que eu visito esse blog acontece o fenômeno de ele dissolver-se em mim. E assim, o levo comigo.

    beijos, mestra!

    ResponderExcluir
  11. Borges tinha/tem razão. Como escapar do não-sentido nao fosse a crença em que algo divino está por acontecer?
    Belo texto!

    ResponderExcluir
  12. Mme. S.: olha só quem fala!... A moça das sutilezas!.... Beijo pra ti, querida.

    ResponderExcluir
  13. Que bom que você 'reapareceu', Bosco!... Aquilo que nos agrada já é, penso, "algo divino"...: um bom encontro ou reencontro... Grande abraço.

    ResponderExcluir

Escreva aqui na parede seu comentário. Venho ler depois.Obrigada.

Divulgue seu blog!
Informe o código: 956
Faça pontos, ganhe brindes