segunda-feira, 1 de março de 2010

Mindlin e o catador de lixo


José Mindlin em entrevista ao site Último Segundo:

"Olha, eu tenho na minha vida deixado o barco correr, eu não tenho objetivos, desejos fixos, marcantes que eu fique perseguindo. Eu acho que a expressão da gente deixar o barco correr, é bem significativa. A vida corre independentemente do controle da gente, você pode, embora, querer algumas coisas específicas, mas planejar a vida eu nunca planejei. E estou satisfeito de não ter planejado, porque tudo que aconteceu foi satisfatório, agora ficar atrás de uma coisa, perder o sono até conseguir, isso nunca me aconteceu."

Mindlin tinha sabedoria. Colecionou livros por amor a eles, não para impressionar, não para parecer intelectual, 'sabido'.

"E eu não me tomo a sério. Eu tomo a sério as coisas que eu faço, mas a mim eu não tomo a sério. Então a vida é bastante simples."

É isso. Quem tem um mínimo de sabedoria não se leva a sério.
Talvez por não ter se levado a sério, Mindlin viveu tanto, quase um século... E teve tempo de juntar 40 mil livros e doá-los. Transcendeu sua condição de empresário.

E não foi só ele que fez assim. Um catador de lixo montou uma biblioteca, no reduzido espaço do seu quase-barraco, com livros encontrados nos recipientes de lixo, em São Paulo, e abriu o espaço à comunidade. Também é sábio: não se levou a sério ao não se restringir à sua condição de catador de lixo. E não planejou fazer o que fez. Passou a dormir no aperto, mas ouvindo a respiração sutil dos livros.

...pois, vemos, alguma coisa 'divina' acontece no coração de muitos homens...


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Leia a entrevista inteira aqui, se apetecer:
http://ultimosegundo.ig.com.br/cultura/2009/07/19/a+vida+e+bastante+simples+diz+jose+mindlin+em+entrevista+exclusiva+ao+ultimo+segundo+7349949.html

2 comentários:

  1. Nivaldete:
    Mindlin foi um grande homem, foi um ícone, foi um baluarte neste mundo de homens partidos. Que o mundo, então, aprenda com ele a levar a vida de forma espontânea, ouvindo as batidas do coração.
    Bjos

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  2. Tem razão, Maria Teresa. Bom que existissem mais homens sábios como ele, em vez de homens 'sabidos', no mau sentido mesmo, coisa de que a política está cheia... Mas temos de confiar no efeito disseminador dos homens de boa consciência. Eles existem em todas as classes sociais. Gracias!

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