terça-feira, 16 de março de 2010

saudade de mim, de Deus?




Às vezes sinto necessidade de algo que parece não existir no mundo.

Nada resolve.

É uma espécie de saudade.

Talvez saudade de
mim..., daquela que, em menina, tinha inveja das catadoras de algodão e riscava os pés com garrancho para que ficassem parecidos com os delas. Elas tinham qualquer coisa de grandioso. A calma, o andar vagaroso, o cheiro de sol, o olhar queimado. Não sei...

Talvez seja saudade de Deus.

Sim, devo dizer: perdi a vergonha de falar de Deus.

De Deus como o concebo sem compreender. Deus da flor e da tsunami, que joga a esmo meteoros na Terra com Sua baladeira infalível. Deus das cachoeiras, onde ainda não me banhei (e que vontade!).

Tenho essa saudade estranha hoje. E isso não é literatura.

9 comentários:

  1. saudade da verdade na qual existimos tão fundamentalmente que não temos consciência dela? ouço cantar ao longe na escuridão os primeiros galos... desejo-te um dia bom, verdadeiro, fundamental :)

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  2. Não é literatura, como não? Entre-vi uma sequência de metáforas, banhadas pela imagem fantástica desse mar, que me deixa cheia de saudade...
    Beijos

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  3. É literatura sim! Essa tal que não nos deixa mentir, nem deixar de se emocionar.
    Lindo texto. Você traduziu sem maniqueísmos ou sem querer resolver essa vazio que eu sinto no peito e que às vezes é necessidade de algo que não existe. Lindo minha caríssima. Como é bom vir aqui te ler!

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  4. Almariada, é altamente provável que seja isso... Fico confortada pela agudeza de de sua percepção. Muito obrigada. Galos da sabedoria continuem cantando por aí... Que o seu dia seja também de boas revelações. Beijos.


    Maria Teresa, na verdade eu quis dizer 'não é ficção', como aquele texto das veredinhas(lembra da 'tsunami'?...). Ando assim. Tudo muito sentido...Beijos. O mar de cá te espera.

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  5. Mme. S., é sempre um agrado especial perceber que você andou por aqui... e que também sente essa coisa sem nome........... Beijo.

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  6. Nivaldete:
    Você não acha que a literatura está muito mais centrada na realidade que na ficção? Para mim, são facetas de vários prismas reais (às vezes bem camuflados), que compõem o que iludidamente se chama de ficção.
    Bjos

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  7. Minha querida Maria Teresa, acho assim: a literatura nasce tanto de fatos 'reais' quanto de sensações/impressões (meu caso,no último post) e da imaginação mais fantástica. Falei que aquilo não era literatura por ser sincero demais... Mas o modo como escrevemos literaturiza o texto... Parece que é assim. Proust fala umas coisas ótimas sobre as impressões... Até aproveitei uma passagem dele no meu romance "Memórias de Bárbara Cabarrús" (se quiser receber, mande um end. para nivaldete@yahoo.com.br
    Mandarei com prazer). No mais, é bom falar sobre essas coisas. A vida, ela mesma, pode ser uma ficção... Veja-se o que diz a física quântica sobre 'realidade'........ Um beijo grande e obrigada pelo diálogo.

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  8. Muito lindo seu texto,amiga. Deus não pode ser um religioso,formando facções, senão teria fundado instituições, ao invés de comunidade. Ah, essa saudade pode ser Deus! Bjs

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  9. e por falar em Deus...

    http://joebrazuca.blogspot.com/2009/02/o-povo-de-deus-ou-o-deus-do-povo.html

    Seu blog é "massa" !...

    e quem disse procê que não é literatura ?...rs

    um beijo...sigo-te, agora..

    Joe

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