quinta-feira, 29 de abril de 2010

duas coisas para o ar


o menino joga duas coisas para o ar. pega de volta, torna a jogar. bolas: só pode ser. não distingo. penso meus olhos não vão bem... chego perto. não é nada. como nada?... são bolas imaginárias.

quem se enganou fui eu.

e essas bolas não murcham...

quinta-feira, 22 de abril de 2010

cata e cata


antes que a noite por inteiro desça
ela vem
mexer nos sacos negros dos tambores
fétidos

cata e cata

um vidro, um resto vencido
de perfume
um pão mais que dormido: morto
uma capa seminada da play boy
uma maçã amarronada

o homem da guarita
ouve o Pai Nosso pelo rádio
murmura que menina chata


e ela cata e cata

parece uma boneca surrada
saída do próprio lixo

sábado, 17 de abril de 2010

dez tinos




e mandou dizer assim:
gastei meus dez tinos
contigo

agora gasto o destino
comigo

segunda-feira, 12 de abril de 2010

o sempre


o sempre está entre a sombra
e o voo da gaivota
que não volta

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Imagem: praia de Ponta Negra-Natal-RN-Brasil.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

roteirinho sem futuro para um minivideo que não farei- parte II


(veja a parte I na postagem abaixo desta)

a mãe retorna quatro horas depois, cheia de pacotes. Entrega dois à filha, que diz ah, mãe, tenho umas três blusinhas iguais..., mas tudo bem. Só uma coisa...: você não explicou o que é...

-o que é...?...

-chorume do lixão...

-ah, filha, deve ser... deve ser uma banda de rock...

olhou as unhas recém-feitas e foi descansar.




roteirinho sem futuro para um minivideo que não farei




a menina do terraço de vidro penteia os cabelos dourados da boneca.

distraída, pergunta mãe, o que é mesmo chorume do lixão?

a mãe atende ao celular, diz estou descendo.

o ploc-ploc dos sapatos vai se afastando sala afora.

(con)traída, a menina pergunta você sabe, boneca, o que é isso?...




quarta-feira, 7 de abril de 2010

...vestiu uma neve...



tirou a roupa noite, vestiu uma violeta, tirou, vestiu uma laranja, tirou, vestiu uma neve, tirou, vestiu uma rosa, tirou...
nenhuma combinava com a cor de seu estado de espírito.
andou pelo quarto e pelo sexto sentido em vão.

7 da manhã, sol bonito.
abriu a janela e vestiu-se de luz,
a única roupa que servia.

era sábado.
se fosse sexta, por certo não teria ido trabalhar.
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