sexta-feira, 4 de junho de 2010

criaturas sem medo

hoje foi feriado e, de manhã cedo, pensei nos faroleiros. Eles vivem da solidão, profissionalmente, e dessa solidão depende o destino dos que cruzam os mares. Faroleiros não costumam ter um só dia para si. 
Pensei também na moça potiguar, aquela bióloga que cuida(va) de uma reserva de pássaros no litoral.  Meses sozinha, convivendo apenas com os seus protegidos e com o vento, o sol, a noite, o sal. Nenhum conforto urbano, tudo enferruja rapidamente e a função se perde: televisão e geladeira, em particular. E ela, de corpo frágil, mas tão serenamente feliz, sem nenhum heroísmo, como foi possível perceber na entrevista que deu, poucos anos atrás, a uma TV local. 

Poderosas, para mim, são essas criaturas sem medo, que parecem plenamente identificadas com o Universo, com o ar, com o descampado, com as vastidões...
Sabem fazer companhia a si mesmas e, por certo, sentir a presença dos que lhes são caros e estão longe.

Ainda bem que há dessas belas diferenças -para desconforto dos aferrados à ideia de uma humanidade em homogeneidade psíquica.
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Imagem: praia de Búzio, litoral do Rio Grande do Norte-Brasil.

7 comentários:

  1. Belo o seu texto. Eu também me sinto um profissional da solidão.

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  2. E são tantos pelo mundo afora, Anônimo... E há os que preferem ficar um pouco à parte, mesmo na cidade.
    Obrigada pela visita. Um abraço.

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  3. faroleiros e moças felizes, heróis anónimos da vastidão do ser, mantêm o equilíbrio psíquico da humanidade, sem querer... oh, sim... chega de dizer...

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. Que beleza de expansão, Almariada!
    Imenso abraço!

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  6. Solidão de ser único, só? Solidão de não acreditar... Contudo, o seu falar é meigo: há mesmo essa solidão de quem necessita tê-la. "A moça potiguar", o faroleiro"... "Nenhum conforto urbano" nos mostra um texto carinhoso, sem soli(dão).

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  7. Bela contribuição, Borges! Um abraço.

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