sábado, 5 de junho de 2010

solitude


Falei de solidão na postagem anterior, mas de uma solidão benfazeja, condição aceita para que algo importante se faça, seja o trabalho do faroleiro ou o da pastora de pássaros.  Mas há quem faça distinção entre solidão e solitude. Sobre esta última, diz Osho*:

"Ela é abençoada, um profundo preenchimento, que nos mantém centrados e enraizados. Ela é independente. Todos são um fim em si mesmos. Ninguém existe para ser usado. Quem está no pico da solitude só se atrai por quem também esteja só. Dois solitários olham um para o outro, mas dois que conheceram a solitude olham para algo mais elevado. Se estão felizes consigo mesmos, tornam-se companheiros."

 Ele pensa a solidão não nas condições dos personagens que referi, mas como aquele estado mórbido de quem é só porque, afinal, não tem, primeiro, a companhia de si mesmo.

E a solitude não está para uma circunstância interior rasa, é estado que talvez não se atinja sem alguma dor, aquela das travessias. Do outro lado entra-se, enfim, na própria casa. 

"Depois de cada experiência profunda nos sentimos sós e tristes: seja um grande amor ou uma meditação. Por isso muitos evitam experiências profundas. A solitude é bela e livre. É um momento em que o outro não é necessário. Após essa liberdade o amor é possível. O amor traz solitude e a solitude traz amor. Já a solidão não cria amor; apenas necessidade. Ela pode matar. Dois solitários não conseguem se relacionar porque isso não ocorre a partir da necessidade. Solitude é uma flor desabrochando, é positiva, saudável. Só o amor dá a coragem de sermos sós. Só assim acumulamos energia até transbordar e transformar-se em amor."(Osho)

Não custa pensar sobre essas idéias de pouca afinidade com o discurso-nosso-de-cada-dia acerca do tema.

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*Fonte: http://sombradainternet.blogspot.com/2010/01/solidao-e-solitude-osho.html

12 comentários:

  1. O tema me interessa muito. E pelo que tenho lido por aí o assunto não é muito popular.Gostei do que você falou e me interessei também pelo que Osho (não conheço o autor) disse, mas a sua visão se afina mais com a minha. A solidão é uma construção, não é isso ?
    Como você tenho, ao longo dos anos, colecionado textos de livros que falam sobre a solidão.Na infância lembro-me de um texto de Monteiro Lobato (parece que era um conto, mas eu nem sabia o que era conto) que falava sobre um faroleiro que, apesar de moço, preferiu aquela vida solitária de sua profissão.Gostaria de reencontrar esse texto.Você conhece ?

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  2. Ideias realmente interessantes. Não sei se estou no caminho certo mas vivo sempre tentando encontrar essa paz e esse alento na minha própria casa. Assim, fica mais fácil de entrar na dos outros. Como sempre, uma belezura te visitar, minha Diva.
    S.

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  3. Caro Anônimo, tenho Osho como um neobudista.Era indiano e há estes sites que você pode acessar:

    http://www.oshobrasil.com.br/textos.htm

    http://www.osho.com/Main.cfm?Area=Magazine&Sub1Menu=Tarot&Sub2Menu=OshoZenTarot&Language=Portuguese

    E há vários livros dele, produzidos a partir das gravações de suas falas. O mérito maior dele, para mim, é que ele mostra como somos 'produzidos' pelo(s) sistemas(s) e como nos reconfigurarmos mentalmente.

    Sobre a solidão: a própria física quântica diz que a realidade é construída por nós, basta olhar ao nosso redor para percebermos isso. E podemos mudas as coisas, se assim o desejamos. Talvez você esteja em 'solitude', se está bem assim, sem sentir grandes faltas. Há também esse 'estar a sós' que o trabalho exige, mas só o aceitamos se tivermos condição psicológica/espiritual para tanto. Caso do faroleiro. Não conheço o texto de Lobato que você mencionou, e até fiz minha tese de doutorado sobre a boneca Emília (como pedagogia performática). Vou ficar de olho.
    No mais, é isso: alguém já disse que "quem não é feliz sem, não é feliz com".
    Acho que vou postar mais alguma coisa sobre o tema...
    Um grande abraço. Volte sempre.

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  4. Querida Mme. S., seus comentários sempre ampliam os breves conteúdos que disperso por aqui...
    Essa sua busca vale a pena. É bom ter tempo para ela. Depois, estima-se mais o tempo compartilhado, que se torna mais autêntico, mais liberto do hábito.
    Um beijo e bom final de semana!!!!

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  5. A solidão, sinto eu, só ajuda se for caminho para encontrar-se a si próprio! Uma vez encontrado o nosso "eu", "a consciência de si", a realização individual exige "o outro": é no outro que efectivamos a característica mais importante do ser humano - ser livre!
    Beijinho grato pela sua visita e comentário - volte sempre que puder e o desejar e sinta-se em casa!

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  6. Obrigada, Quicas. É um prazer também receber sua visita aqui: expansão dos contatos, razão por que blogamos...
    Um grande abraço.

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  7. Sobre o texto de Monteiro Lobato, que fala num faroleiro, acabei de ter uma informação.É do livro URUPÊS, e o personagem chama-se J (ou G ?)EREBITA.Vou atrás desse texto que faz parte da minha infância.Gostaria de trocar opiniões.Tchau.

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  8. Que bom que você já tem dados sobre o texto. Sim, troquemos opiniões, impressões, etc.
    Tchau.

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  9. Nivaldete:
    Esse mastigar filosófico sempre faz bem e preenche por dentro. Interessante a abordagem que você fez sobre a solitude e a travessia. Sempre tive para mim que só quem se basta é capaz de amar com plenitude, é capaz de uma verdadeira travessia para o outro.
    Beijos

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  10. Seu pensamento, Maria Teresa, acrescenta. Como sempre. O problema é que a (nossa) cultura trabalha a favor de relacionamentos que, à falta de outra palavra, chamo insalubres...

    Obrigada.Um abraço.

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  11. oh, obrigada, Nivaldete! um grande e reconhecido abraço oceânico até ao fundo!

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  12. Agradeço, Almariada. Retribuo o abraço, feliz pela sua presença!

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