sexta-feira, 18 de junho de 2010

a vida não se sabre

calço então umas san-dálias de fogo e salvo a canção enterrada no asfalto, solto-a no ar, que vá, que vá -que o destino das canções é o ar...-, enquanto outros hóspedes do mundo vociferam lógicas agrisalhadas e berram "sou..." e não entendo o que são, o que vem depois de "sou", ou é algo a que falta vital sonoridade, ou é o sopro da Palavra que se nega a proclamar o que não é...


prossigo..., um embriagado do álcool-dos-outros  quase me atropela ao perguntar o que sabres da vida?, e antes que eu tente responder uma grande pedra surge entre nós, abre sua boca milenar e diz por que tanto corte?, a vida não se sabre nem se sabe, ó deserdado que não não conhece a mornura e o aroma que pode ser o estar na vida sem perguntas!  


e ela vai diminuindo até que se perde entre os grãos de areia, e ele se torce e se contorce, mostro um copo d´água, diz que não, olha para trás querendo retornar à pequena multidão, convido  em silêncio a andar comigo (em silêncio), diz que isso é quase-solidão, quero saber por que tem medo, por que só encontra sua alma junto a muitos, ele diz porque... porque eles me dizem que eu sou, quem eu sou..., então também me reconheço, ganho um rosto, mais alguma coisa?, digo que pode se tornar íntimo da pessoa mais interessante deste mundo para ele, então se anima, sorri: quem? Tu?!..., afasto-me pensando: tu mesmo...


a canção que joguei ao ar retorna mais bonita aos meus ouvidos. Alguém por certo a ouviu e acrescentou algumas notas...
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Imagem:http://www.lunaeamigos.com.br 

2 comentários:

  1. "Uma canção pelo ar, uma mulher a cantar", cantar poesia: "Dálias salvando a canção no asfalto". Belíssimo!

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  2. Obrigada, grande Borges, guardião de Elis
    Regina. Um abraço.

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