domingo, 25 de julho de 2010

paz das pedras

a chuva desfez a goma da lua
e agora chove branco nesta parte do mundo.
claro também é o silêncio apenas cortado ao meio por um grilo

e este domingo

e este longo domingo
de livros abertos e largados
porque o domingo é por si só
um texto que me inteiramente ocupa
quando me distraio
da solene paz
das pedras
mesmo
sob
a

c
h
u
v
a

Imagem bonita: Pedras no surf

14 comentários:

  1. meu domingo está muito parecido com esse poema.

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  2. Nivaldete:
    Vinha vindo pela estrada e até tirei uma foto da lua enorme e linda. Agora que me dei conta de que ela estava sem goma e que por isso me pareceu ainda mais encantadora. A chuva branca daí deve ser casta e a paz, plena dessa harmonia de espuma, desse encontro festivo e branco com a pedra. Que paraíso!
    Beijo

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  3. muita gente sente o domingo assim, algumas vezes, com uma certa nostalgia... já ouvi. E a chuva ajuda na introspecção... Mas outras vezes é tão bom... Coisas do humano, querida.
    Um café quentinho!

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  4. Obrigada, querida M. Teresa! Você tornou o texto mais feliz, mais cósmico! Participou daí...
    Grande abraço!

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  5. "a chuva desfez a goma da lua
    e agora chove branco nesta parte do mundo."
    Poema estupendo, Nivaldete.
    Bom, estou chovendo no molhado.
    Tudo que você escreve é digno de nota.
    Grande semana e "solene paz" pra você.
    Abração.

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  6. Obrigada, Paulo. E a mesma paz para você!
    Abraços.

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  7. Gosto da clausura da chuva: um vinho, um poema... O domingo é sem voz, mas tem os "livros abertos..." Beijus en(goma)dos.

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  8. Um domingo de chuva traz de volta a melancolia da vida... Apetece flutuar dentro das bolas de sabão ou voar até onde se perde a sombra...
    Um beijo.

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  9. Que gostoso, Borges!... Vinho, poema...
    Um abraço.


    Graça,
    É, "Quer saber de felicidade? Nada como as bolhas de sabão." Bolhas e borboletas..., a receita de Nietzsche que havenos de praticar, não é?
    Um abraço!

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  10. Certa vez em um congresso na UNP, onde vc e a Sheyla Azevedo falavam dos seus respectivos blogs, lembro que uma de vcs comentou o quão importante são os comentários, e mesmo assim continuei a acompanhar na surdina, caladinha. Até que "um belo dia decidi mudar" e dizer aqui que é um imenso prazer acompanhar seu trabalho, essas palavras me embebedam a alma de delicadezas.

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  11. Que coisa boa, Monamm, então, sua visita! Fico feliz e grata pelas boas palavras. Seja bem-vinda e não se esquive mais de deixar seus comentários.
    Um abraço!

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  12. Bem construído esse poema concreto: a palavra chuva chovendo no mar. E o blog está marinho.

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  13. ah, Nivaldete, li este poema e lembrei-me deste post e trouxe-o... aqui está, com um abraço que abrange toda a terra e o céu todo :)

    Poema destinado a haver domingo

    "Bastam-me as cinco pontas de uma estrela
    E a cor dum navio em movimento
    E como ave, ficar parada a vê-la
    E como flor, qualquer odor no vento.

    Basta-me a lua ter aqui deixado
    Um luminoso fio de cabelo
    Para levar o céu todo enrolado
    Na discreta ambição do meu novelo.

    Só há espigas a crescer comigo
    Numa seara para passear a pé
    Esta distância achada pelo trigo
    Que me dá só o pão daquilo que é.

    Deixem ao dia a cama de um domingo
    Para deitar um lírio que lhe sobre.
    E a tarde cor-de-rosa de um flamingo
    Seja o tecto da casa que me cobre

    Baste o que o tempo traz na sua anilha
    Como uma rosa traz Abril no seio.
    E que o mar dê o fruto duma ilha
    Onde o Amor por fim tenha recreio."

    Natália Correia
    Poesia Completa
    Publicações Dom Quixote
    1999

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  14. Que lindo poema, Almariada!... Só agora o Blogger me avisou... Mas..., antes tarde do que nunca, como dizem. Muito obrigada!

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