domingo, 4 de julho de 2010

para não dizer que nada aprendi com o futebol

Um comentarista de futebol falou algo assim na TV: a equipe do Paraguai não constroi o jogo, vai, vai, vai no improviso, ao sabor do acaso, vai no risco, vai com força, é perigosa.
E as equipes que jogam segundo uma técnica apurada, que constroem o jogo?
Estas também perdem. Caso do Brasil.

Não será na vida assim também?...



...mas há a 'existência'. Viver é mais rotineiro. Atendem-se as demandas do corpo, desenham-se projetos para o futuro, desenvolvem-se estratégias para chegar lá, consome-se.

Existir pede mais.
Ou pede diferente.
Ou pede menos.
Pede a suspensão (eventual que seja) das regras. Pede o risco, o improviso, o aqui-e-agora, pede também o alheamento, aquele estar-sem-pensamento, o temido vazio.
Pede  não esperar, não contar-com.
Pede não-pedir.


Ao fim e ao cabo, nada se perde, nada se ganha, apenas se vive. Ou se existencia quando possível...

12 comentários:

  1. Um jogo é essencialmente competitivo. A vida vai pelo mesmo sentido: "Viver é mais rotineiro", mas não se pode perder pênaltis, nas partidas de futebol de cada dia. Existir apenas pede água, pão. Bonito!

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  2. Nossa, Nivaldete, deu até um aperto sadio, uma espécie de torpor que impulsiona e que estimula o existir da existência. Acho que essa existência não existe sem poesia.
    Beijo carinhoso

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  3. Borges, obrigada pela sempre luminosa visita!

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  4. Maria Teresa, gostei desse "aperto sadio"... Porque são tantos os apertos incômodos, não é?...
    E quanta sensibilidade receptiva tens! Dilatas sempre o que pomos aqui... Fico comovida...
    Um beijo também carinhoso para ti.

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  5. Nossa, cara amiga, com técnica ou no improviso tudo é tão misterioso pra mim.
    Tudo depende de tanta coisa que eu não sei o que é.
    Até mesmo vitórias e derrotas, se é que elas existem, às vezes não fazem sentido.
    Nem sei se a poesia faz algum sentido.
    Ou, ainda, se viver faz sentido.
    Grave e ótimo seu texto.

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  6. Caríssimo Paulo, tudo isso é mesmo muito obumbrado. A gente fala, fala e... colide com a impossibilidade de entender de verdade. Mas não devemos cair em desencanto. Se estamos aqui haverá um sentido para isso -por mais oculto. É confiar...
    Fiquei tocada com suas palavras.
    Um abraço bem amigo.

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  7. Acho que você resumiu um pouco a diferença (ou sutileza) entre viver e existir...

    adoro suas reflexões.

    Beijos, S.

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  8. Sheyla querida, a gente nunca sabe ao certo... Apenas pressente. Talvez seja assim...
    Um beijo!

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  9. mas, aqui está escandalosamente lindo!

    até

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  10. Obrigada, Pia Fraus! Venha sempre...

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  11. Suas fotografias são belíssimas, são poesias pura.

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  12. Obrigada, Elizete. Dito por você, que entende muito de imagem, fico contente!!!
    Um abraço.

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