terça-feira, 20 de julho de 2010

uma palavra sem lar

ando buscando uma palavra
com um mínimo de barulho
que tenha um som
menos que arrulho


menos, menos
que os amenos
dos acenos
infantis

ando buscando uma palavra
só aroma
uma palavra que se toque e seja
ar, goma

uma palavra abandonada
que ainda não sabe falar

uma palavra que seja duas em cada

uma palavra sem lar
uma palavra de água



e para encontrar
sei,  preciso 

silêncio e ar
silenciar...

8 comentários:

  1. Essa palavra tem sopro divino, Nivaldete! Ela é dádiva e oferenda ao mesmo tempo; ela parece ser um signo recém-nascido! Adorei pensar nela!
    Beijos

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  2. ...de repente vem um 'mal-estar' das palavras, sensação de não estar dizendo nada...
    ...vontade de "outras palavras"..., do "signo recém-nascido" tão bem dito por você.
    essas coisas...
    ...então o melhor, nessas horas:
    silêncio e ar, silenciar...

    um beijo e muito obrigada pela rica participação.

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  3. A palavra vaga no lume esperando a captura anunciada no silêncio.
    Amiga, grande exercício para o espírito.
    Abraços das bandas da Cidade Alta.

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  4. Graça, deve ser sede, e muita, de "outras palavras", como diz Caetano Veloso.
    Beijos.

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  5. Paulo amigo,
    que mais dizer?... Você complementou tão lindamente o texto...!
    E bendita a Cidade Alta, que me manda altos pensamentos.
    Abraço, irmãozinho.

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  6. Elas estão na chuva fina, molécula pelo ar, no silêncio dos anjos... "Palavras abandonadas, de goma, sem barulho", que também nos deixam. O poema vai juntando partículas. Belo, Bela!

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  7. Oh, Borges,
    Belo é o que dizes...
    Aqui faz muito frio... Um grande abraço.

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