terça-feira, 17 de agosto de 2010

os remédios do escuro

os remédios do escuro
encontro
no lume da lamparina
que a vó acendia
pra contar histórias

ela sempre sorria depois de imitar a voz de um rei mau e eu não entendia aquele pouco caso e até achava que a vó fosse muito amiga do rei mau, talvez até namorada, porque rindo ela perdoava, e eu não entendia que ela só falava: é tudo arte da fantasia...

era uma vez a vó
era uma vez a lamparina
mas é sempre essa pro-cura:
apagar
soprar os medos
beijando a tisna
que eles deixam
-sua assinatura

que livre não é 
quem nunca teve medo,
o perigo é nunca
deslamparinar
o velho assombro
ou ele fica
no lugar da luz
aceso







conte mais, vó













Imagem: http://www.programamomentoscomjesus.com/Reflex_tex1/Reflex%C3%B5es/a_lamparina.htm

7 comentários:

  1. Coloquial iluminação. Saudade, revelação de herança. A primeira estrofe é bela como uma chama (e)terna que vai abrindo caminhos de volta. Deslamparinar o medo, soprá-lo, que achado isso!

    Abraço.

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  2. Marcantonio, que leitura rica você fez! Trouxe tanto acréscimo... Obrigada!

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  3. O mundo é entisnado por si. Escuta-se a voz da infância bafejada de lamparinas: "Sempre essa pro-cura". Lembranças são chamas com voz e gosto. Parabéns pela construção. Bjs

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  4. Borges, você construiu junto. Obrigada.

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  5. Avós soprando medos... Elas têm esse dom, mas cuidam para não deslampariná-los, para não deixá-los acesos... Avós são meio mágicas...
    Beijo carinhoso

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  6. Maria Teresa,

    mágicas, sim, elas são. A minha era.
    Um beijo.

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  7. coisas de vó são sempre tão mágicas que tinha de terminar (ou começar na memória da gente) em forma de verso.

    um beijo minha diva.

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