segunda-feira, 29 de novembro de 2010

a linguagem é



a linguagem não pertence a ninguém
a linguagem é

a linguagem é um ente
que invocamos quando estamos doentes do mundo

os que estão curados silenciam

os que gritam estão rasgados por dentro

escrevemos porque sofremos do descompleto,
da falha, de insondáveis inanições

escrevemos porque queremos soletrar Deus
e Deus não tem nome

("Deus" é um apelido para o que não compreendemos)


escrevemos porque não estamos vazios
mas cheios de implosões
detritos

estar vazio é a grande graça:
não há mãos para fuzis nem aneis nem agarro de moedas
nem boca para palavras de areia

estar vazio é estar garça
e o lago não é logo ali.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

em que sentido se vai?


e esse vozerio do mundo
essa normalidade louca
tudo apressado e apreçado
o custo da veste e da água
       da luz e da alma

qual mesmo o endereço?
em que sentido se vai?

quer um café
yoga música travesseiro
cortar distâncias com faca,
mansão gruta ou estrada?
um cachorro uma tv
seu nome lido no mundo?
nada disso preenche
a gula enorme da mente?


o que fez o amor?
como se faz o amor?

e o contentamento?
-este é dos passarinhos


e essa cruz das aparências
em que todos estão pregados?

a cachaça disfarça
a solidão de cada um?

quem inutiliza os tambores da dor?
a dor será um congênito engasgo?

um shopping é um atestado
da nossa miséria interna
que nos faz necessitar tanto?

-quero dez caixas de... nada:



preciso é de transcendência...
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