sábado, 15 de janeiro de 2011

Você, não sei.


...às vezes vem de ser assim, ela disse: reparto-me entre esse nada querer, essa ultrapassagem das coisas do mundo, incluindo as pessoas em relação privada, e uma vontade de encontrar algo ou alguém que me faça dizer "ah, divino, enfim!", e considerar tolas as coisas que tenho feito e não feito, dito e não dito. E aí você passa rente à porta dessa vontade, passa muitas vezes, e sei que não será divino, não pode ser, que o divino, afinal, é puramente íntimo de cada um, não se soma, não se divide, é tão particular como uma febre.  Mas você passa, passa, me olha por janelas virtuais como quem quer avisar de algo, talvez dizer "levarei uma muda de roupa, uma frase de Clarice e um vinho", e eu esqueço o divino.  Clarice angula. Vinho faz bem ao coração. Você, não sei. Mas a noite será menos longa, já é alguma coisa. Melhor se perdermos o senso.

9 comentários:

  1. Texto inspiradíssimo, amiga.
    Esse trecho é divino: "levarei uma muda de roupa, uma frase de Clarice e um vinho".
    Nada mais a declarar.
    Precisa?
    Abraço grande.

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  2. Acho que não, Paulo. Esse pouco é muito...
    Obrigada pela visita. Devagar retomo as postagens.

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  3. Mais um textemuito. "Muda de roupa" é renascer a cada dia. Vou abrir o vinho Santa Camila...rsssss

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  4. Texto límpido,pulsante, tão você.

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  5. Detinha,lindo o texto,me lembrou Caio Fernando Abreu.

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  6. Honrosa lembrança, Tetê... Abraço.

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  7. O divino, realmente, fica muitas vezes dentro de nós mesmos, como um sentido poético. Cria a beleza na fôrma dos nossos sentimentos mais ansiosos e a faz reluzir em todos os espelhos da alma e do mundo. Assim o que seria da vida sem esse sentido poético? Uma fábrica de robôs não é? Sem alegrias, sem decepções, sem diversidade, sem vida. Mas ainda bem que temos o divino pra nos fazer sentir. Agora, por exemplo, sinto que a frase da Clarisse poderia ser a frase da Nivaldete reluzindo por aí bela da mesma forma. Um abraço de carinho e admiração!

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  8. Deve ser assim mesmo, querido Anônimo... Jorge Luís Borges disse numa entrevista: "A gente vai vivendo e esperando que alguma coisa divina aconteça"... Talvez pra subir um degrau acima das coisas rasteiras da vida.
    Obrigada pela visita sempre carinhosa.

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