sábado, 12 de março de 2011

de repente se passa um café


e lá vinha o filho cheio de dor,  dor de amor, barba crescida, a camisa rasgada bem no peito.
-me deixa, filho, costurar essa camisa...
-não adianta, mãe..., é o coração que está rasgado.
-ah, esse rasgão..., eu vi...  o coração doído saiu por ele, eu vi. Passou por mim, voando, e se desfez no ar... já nasceu outro, bem novinho. 
-...
-...
-...
-vou passar um café pra nós... e mais cuidado com as camisas... não são muito baratas...
-mãe, você tá chorando?...
-não, não... foi uma gripe de repente... gripe é assim... de repente.
-passe o café então... de repente...
-sim... de repente se passa um café... 
e pensou: só a dor não passa de repente... mas passa...

6 comentários:

  1. Café de mãe acalenta a alma. Parabéns pelo blog. Adorei. Abraços.

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  2. Taí, as mães sempre estão prontas para costurar as camisas...
    Lindo texto!
    Beijos

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  3. Obrigada, Adriana. Venha sempre.
    Abraços.


    Maria Teresa,
    ...pra costurar as camisas e até inventar novos corações para os filhos...
    Beijos pra ti também.

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  4. Tão bonito isso de chorar a dor dos outros. As mãos são catedráticas nisso. Lindo texto, lindo!

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  5. Mme. S., acho que você quis dizer "As mães"... Mas assim mesmo tá certo: mães são mãos de costurar rasgados de toda ordem: panos e corações e o que mais seja. Nem importam o tamanho e a idade dos filhos...
    Um beijo.

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  6. O poeta é como o príncipe das nuvens. As suas asas de gigante não o deixam caminhar.

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