um lírio
para tanto delírio
a natureza del
ira
tudo deslira
e ainda não houve tempo de sermos
menos que amáveis: ao menos quase
gentis
resta ruminar
Rumi:
O mar é uma coisa,
A espuma, outra;
Esquece a espuma e contempla o mar noite e dia.
Tu olhas para a ondulação da espuma e não para o poderoso mar.
Como barcos, somos jogados daqui para ali,
Somos cegos, embora estejamos no brilhante oceano.
Ah! Tu que dormes no barco do corpo,
Tu vês a água, contempla a Água das águas!
Sob a água que tu vês há outra água que a move,
Dentro do espírito há um espírito que o chama!

É impossível ficar imune quando-se mergulha no fantástico. Adorei o poema.
ResponderExcluirAbraços,
Ruminar, eis a nossa dificuldade, nós que só sabemos deglutir sem nem mesmo olhar o gosto. Só sabemos ver a espuma de tudo, deixando de reparar na boniteza do mar. São poemas pra ler e reler; para aprender.
ResponderExcluirBeijos
Obrigada, Adriana. Um abraço.
ResponderExcluirMaria Teresa, Rumi é esse poeta (do) divino, do ver-além...
beijos.
Eis-me diante de um poema maduro! Sem ranço, é claro, ou qualquer arrogância terrena. Caratetísticas, aliás, que aos meus olhos de te ver e poros de sentir teus poemas, lhe são peculiares. Quando leio alguma coisa assim, chego a sentir vergonha do que escrevo. Mas, também fico maravilhada diante da palavra possível.
ResponderExcluirAh, Sheylinha..., e eu fico encolhida com suas palavras... Sua mensagem me instiga a fazer um post... Acho que vou lá. Um beijo comovido.
ResponderExcluirA lira do (de)lírio se afoga nesse mar de alta poesia.
ResponderExcluirParabéns, querida.
Belo, belo.
Obrigada, Paulo Jorge. Feliz pela sua visita.
ResponderExcluirUm abraço.
Há uma força submarina no que escreve, pedaços de calor, líquidos e sal.
ResponderExcluirLindo demais!
Gostaria muito que conhecesse meu blog: www.senhorinhadeespanto.blogspot.com
Te admiro muito!
Abraços currais-novenses!
AMBICIONA
Adoro ruminantes
com sua pose sem rodeios
explicando alimentos ao estômago.
Acalma-me a textura de
esperas
de seu couro nu.
Escapam assustados
do cabresto:
berros secretos sem direção.
Na lonjura digestiva de seu pasto,
uma cabra de nome
Amaranta
recusa-se a procriar.
Nasce um tempo de
cólicas e alegrias...
mastigar morder
morder mastigar
IARA MARIA CARVALHO
(Milagreira, 2011)
Obrigada, Iara querida, por tão boas e poéticas palavras. Vou visitar sua casa virtual, sim. Um abraço.
ResponderExcluirsou um grande fã da sua obra.
ResponderExcluirja viu a homenagem que fiz pra vc?
101 livros do RN (que você precisa ler).
http://101livrosdorn.blogspot.com/
Grato