segunda-feira, 14 de março de 2011

tudo deslira

um lírio
para tanto delírio

a natureza del
ira

tudo deslira


e ainda não houve tempo de sermos
menos que amáveis: ao menos quase
gentis




resta ruminar
Rumi:

O mar é uma coisa,
A espuma, outra;
Esquece a espuma e contempla o mar noite e dia.
Tu olhas para a ondulação da espuma e não para o poderoso mar.
Como barcos, somos jogados daqui para ali,
Somos cegos, embora estejamos no brilhante oceano.
Ah! Tu que dormes no barco do corpo,
Tu vês a água, contempla a Água das águas!
Sob a água que tu vês há outra água que a move,
Dentro do espírito há um espírito que o chama!

10 comentários:

  1. É impossível ficar imune quando-se mergulha no fantástico. Adorei o poema.

    Abraços,

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  2. Ruminar, eis a nossa dificuldade, nós que só sabemos deglutir sem nem mesmo olhar o gosto. Só sabemos ver a espuma de tudo, deixando de reparar na boniteza do mar. São poemas pra ler e reler; para aprender.
    Beijos

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  3. Obrigada, Adriana. Um abraço.

    Maria Teresa, Rumi é esse poeta (do) divino, do ver-além...
    beijos.

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  4. Eis-me diante de um poema maduro! Sem ranço, é claro, ou qualquer arrogância terrena. Caratetísticas, aliás, que aos meus olhos de te ver e poros de sentir teus poemas, lhe são peculiares. Quando leio alguma coisa assim, chego a sentir vergonha do que escrevo. Mas, também fico maravilhada diante da palavra possível.

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  5. Ah, Sheylinha..., e eu fico encolhida com suas palavras... Sua mensagem me instiga a fazer um post... Acho que vou lá. Um beijo comovido.

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  6. A lira do (de)lírio se afoga nesse mar de alta poesia.
    Parabéns, querida.
    Belo, belo.

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  7. Obrigada, Paulo Jorge. Feliz pela sua visita.
    Um abraço.

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  8. Há uma força submarina no que escreve, pedaços de calor, líquidos e sal.
    Lindo demais!

    Gostaria muito que conhecesse meu blog: www.senhorinhadeespanto.blogspot.com

    Te admiro muito!

    Abraços currais-novenses!


    AMBICIONA

    Adoro ruminantes
    com sua pose sem rodeios
    explicando alimentos ao estômago.

    Acalma-me a textura de
    esperas
    de seu couro nu.

    Escapam assustados
    do cabresto:
    berros secretos sem direção.

    Na lonjura digestiva de seu pasto,
    uma cabra de nome
    Amaranta
    recusa-se a procriar.

    Nasce um tempo de
    cólicas e alegrias...

    mastigar morder
    morder mastigar

    IARA MARIA CARVALHO
    (Milagreira, 2011)

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  9. Obrigada, Iara querida, por tão boas e poéticas palavras. Vou visitar sua casa virtual, sim. Um abraço.

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  10. sou um grande fã da sua obra.
    ja viu a homenagem que fiz pra vc?



    101 livros do RN (que você precisa ler).

    http://101livrosdorn.blogspot.com/

    Grato

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