quinta-feira, 3 de março de 2011

A vez de outro autor-1

O Lápis disse: quero repouso, mais repouso de você... Então por um tempo, e não sei a extensão desse tempo, postarei textos de outros autores. Quando a birra do Lápis passar, voltarei...

Começo com este texto:

"(...) Se eu falo, é menos para mim do que para o outro; falo para me dirigir ao outro, para me fazer compreender. A fala é aqui como que o traço de união. Mas para que o outro me compreenda, é preciso que a minha linguagem seja a sua - que ela dê precedência sobre mim, que seja tanto mais inteligível quanto ela é ainda por cima denominador comum. Os outros ensinaram-me a falar, deram-me a palavra mas, ao fazê-lo, talvez tenham asfixiado em mim uma voz original, fraca, e lenta a libertar-se. Dizer que a linguagem é o outro equivale a afirmar que estamos, desde a infância, aprisionados pela nossa submissão forçada às fórmulas acabadas da linguagem estabelecida. (...)
A comunicação mata a expressão. A salvação consiste numa espécie de reconversão; é preciso abjurar a linguagem, desabituarmo-nos da existência geometrizada pelo senso comum (...)."

Georges Gusdorf, in A palavra

3 comentários:

  1. Maravilha de reflexão. No entanto, a comunicação tenta chegar à expressão de qualquer forma e ainda bem que isso acontece; sem ela, a expressão fica pairando no ar, ávida por sentir as delícias da interação.
    Beijos pra você.

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  2. Certo, Maria Teresa... O Ulisses de Joyce, com toda a sua "incomunicabilidade", buscou a interação. Não fosse assim, teria ficado como manuscrito apenas, não é? E o Paul Celan... Qualquer hora dessas postarei algo dele.
    Obrigada pela visita.
    Beijos.

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  3. Detinha,tudo ok com seu blog,sem vírus!

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