segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Palpalá, Jujuy -nomes do mundo

indo ao final deste blog, certo dia, vi que ele havia sido acessado num lugar chamado Palpalá-Jujuy.
Onde será?, me perguntei. Não reconheci a bandeirinha do país; são tantas. E até acho que não quis reconhecer. Queria ficar imaginando Palpalá -sem país, sem mais qualquer referência. Palpalá, Jujuy. Palpalá, Jujuy... Mas existirá esse lugar? Não será apenas um nome? Se é um lugar, seus habitantes falarão palpalês?
Como somos impacientes com o mistério, e como a internet é uma (terrível) reveladora deles, fui saber: é um lugarejo da Argentina, e figura como opção turística...
Veio-me a curiosidade de buscar nomes incomuns de outros lugares, agora no Brasil:
Faxinal do Soturno, Estrela Velha e Não-Me-Toque (RS); Maravilha e Saudades (SC); Jardim do Mulato (PI); Luminárias (MG); Espera Feliz (ES); Feliz Deserto (AL); Poço do Lumiar (MA)...
E este aqui no RN: Caiçara do Rio dos Ventos...
São nomes do mundo. Nomes poéticos. Que o rio dos ventos da imaginação nunca cesse de correr nesse sentido.







sábado, 14 de janeiro de 2012

criadores de anedotas

 Criadores de anedotas, tenho-os em grande estima.Deviam ser receitados pelos médicos, contra tristeza, depressão e para prevenir ociosidades potencialmente maléficas. Fazer rir é, sobretudo, generosidade, e exige formidável talento, capacidade de concisão, de inventar chistes, de trabalhar na lógica do absurdo -ou em outra que não essa, tacanha, do cotidiano.
O mais admirável é que ninguém reivindica autoria. E por certo parte da graça se perderia se o contador de anedotas dissesse:  essa é minha! Mas não, elas parecem sopradas pelo vento. Talvez sejam o último resíduo de um tempo em que as palavras não eram propriedade de ninguém. Hoje, briga-se na justiça por uma frase que foi plagiada - e às vezes não foi, deu-se apenas uma coincidência (co-incidência: algo que incide junto com...). Mas os criadores de anedotas, penso, brigariam para não assumir autoria de anedota nenhuma.  O regozijo é justamente espalhar, doar de verdade. Quem mais faz isso, no mundo da criação cultural?
Ou anedota e piada não são cultura?... Cultura terapêutica inclusive, eu diria. E geradora de socialização das mais saudáveis. Pessoas que riem juntas esquecem "quem são", esquecem o tal do status, a condição de chefe de alguma coisa, são apenas pessoas que riem.
...

Será que esses criadores de alegria também criariam uma Academia Nacional de Anedotas?
Talvez só se fosse imaginária, como tema de piada. E piada a Academia Brasileira de Letras já fez, ao conceder a Ronaldinho Gaúcho a Medalha Machado de Assis... Ah, não é piada. Ronaldinho faz poemas com os pés. Gols, poemas, golemas...

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

melancolia no Natal

Mãe na tempestade (óleo s/ tela).Nivaldete Ferreira


 "Aquele que tem todas as respostas por isso mesmo já perdeu a razão" (de um poema oriental).

não são poucas as pessoas que desabafam: -esse período do Natal me deixa em estado de melancolia... 
Por que será?... Todas as tentativas de resposta são em "talvez". Talvez porque, como disse J. L. Borges numa entrevista, "vamos vivendo e esperando que alguma coisa divina aconteça". Talvez no Natal isso seja mais agudo. Talvez esperemos um presente que, afinal, não existe nas lojas. Talvez o presente que gostaríamos de dar a nós mesmos, tirado das esquecidas prateleiras interiores, e que talvez fosse a libertação em relação ao poder que a cultura tem de se tornar orgânica e nos desmantelar por uns dias com esse indecifrável sentimento que, à falta de outro nome, chamamos de melancolia (os psicanalistas dirão "falta"). Talvez ainda porque, durante o ano, estoicamente reprimimos ou transcendemos insatisfações, pequenas tristezas, então o Natal serve de escoadouro para esses materiais não perecíveis e entulhados; estamos cansados e é fim de ano. Talvez porque a janela selada de algumas contradições se abra de repente e por ela vemos, por exemplo, que Jesus Cristo, descalço e roto, não seria aceito nos portões do Vaticano, mesmo na Noite de Natal. Talvez porque aquele "em que posso ajudar?" das moças bonitas das lojas soe como uma grande falsificação de um sentido de ajuda mais autêntico. Talvez porque cada vez mais nos deixamos estar como vassalos do Império das Coisas. Talvez porque a hipnose das 'realidades' - exercida o ano todo por falas, fatos, expectativas, 'valores' ...- seja  suspensa e, de repente,...
Talvez porque ficamos no palco, e não na plateia, como observadores.
Talvez porque...

Sei lá... Vou é tomar um copo d´água e dar comida pro gato, que mia ao pé de mim, sem qualquer melancolia. Manhosamente...

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

paz, peace, pacem, la paix...



só as crianças e os bichos dormem assim... 

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