sábado, 14 de janeiro de 2012

criadores de anedotas

 Criadores de anedotas, tenho-os em grande estima.Deviam ser receitados pelos médicos, contra tristeza, depressão e para prevenir ociosidades potencialmente maléficas. Fazer rir é, sobretudo, generosidade, e exige formidável talento, capacidade de concisão, de inventar chistes, de trabalhar na lógica do absurdo -ou em outra que não essa, tacanha, do cotidiano.
O mais admirável é que ninguém reivindica autoria. E por certo parte da graça se perderia se o contador de anedotas dissesse:  essa é minha! Mas não, elas parecem sopradas pelo vento. Talvez sejam o último resíduo de um tempo em que as palavras não eram propriedade de ninguém. Hoje, briga-se na justiça por uma frase que foi plagiada - e às vezes não foi, deu-se apenas uma coincidência (co-incidência: algo que incide junto com...). Mas os criadores de anedotas, penso, brigariam para não assumir autoria de anedota nenhuma.  O regozijo é justamente espalhar, doar de verdade. Quem mais faz isso, no mundo da criação cultural?
Ou anedota e piada não são cultura?... Cultura terapêutica inclusive, eu diria. E geradora de socialização das mais saudáveis. Pessoas que riem juntas esquecem "quem são", esquecem o tal do status, a condição de chefe de alguma coisa, são apenas pessoas que riem.
...

Será que esses criadores de alegria também criariam uma Academia Nacional de Anedotas?
Talvez só se fosse imaginária, como tema de piada. E piada a Academia Brasileira de Letras já fez, ao conceder a Ronaldinho Gaúcho a Medalha Machado de Assis... Ah, não é piada. Ronaldinho faz poemas com os pés. Gols, poemas, golemas...

2 comentários:

  1. Uma piada bem contada lava a alma maculada. Poesia com os pés foi demais... Essa gente "contadora" é mesmo sem referência. Adorei o texto. Abç

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  2. Valeu, Borges! Obrigada pela visita sempre ecoante.

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