sexta-feira, 26 de abril de 2013

chore, Deus

inverno chegando e eu me amansando.
e vem uma saudade cósmica de tudo, de todos,
até de mim, já disse. De você, pássaro que não prendo

saudade de Deus também.
como vai, Deus?
tem visto o mundo, esse nosso aqui?

está mesmo chovendo
ou é Você chorando
porque não aguentou?

chore, Deus, chore sempre quando ficar triste (temo as inundações),
chore sobretudo nos sertões do Brasil, chore na África.
Se puder, desligue os tornados e os tsunamis
mas chore nos sertões do mundo
porque "o sertão está em todos os lugares"
como disse Rosa, que deve estar aí escrevendo sobre os sertões do céu. Tem?...
chore, Deus. Os homens hão de aprender a guardar suas lágrimas em cisternas
pra se lavar, beber e cozinhar.
E matar a sede dos bichos.
E não esqueça de chorar também sobre a aridez dos espíritos que bebem da seca,
molhando a mão, o bolso.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

um café

-um café.
-expresso?
-espresso, expresso.
-o troco.

a boca ainda quente, pensou

a vida não deve ser bebida
como café inexpresso
às 6 de uma quinta sem sinfonia,

mas às vezes é,
porque tudo às vezes é
como não gostamos,
mas só assim sabemos
o gosto de gostar.

 -um café.
-expresso?
-expressivo.





saudade

hoje estou com saudade de tudo, de todos.

até de mim...

segunda-feira, 22 de abril de 2013

coisa, isso

 começou a escrever com tinta guache
na parede muito branca e lisa: essas coisas, sim, essas coisas, certas coisas, incertas coisas...
a palavra coisa quer dizer mesmo o quê? aquilo que não tem nome, que só se sente, que vai além do sentido?
coisa, isso... 
o que sei é que caímos em grades, nos deixamos fechar nelas,
temos a chave do cadeado mas apenas olhamos para ela com um olhar que a oxida ou  a trancamos na mão, com força, até que ela penetre a nossa carne e passe a fazer parte de nós, então podemos dizer: perdi a chave.
assim prisão e liberdade passam a estar organicamente em nós.
e por que prevalece a prisão?
os bichos. eles só entram em jaulas porque os humanos lá os põem...

ia continuar escrevendo, mas choveu de repente e o texto borrou-se pela parede abaixo.
como se chorasse.





Que amor é esse...?

-Que amor é esse que precisa de um cadáver?

Fala de Joana, na peça Entre o Carrossel e a Lei, que publiquei em 2007.
Infelizmente a pergunta continua a ter sentido.
Homens continuam assassinando mulheres "por amor"...
 

Quem se interessar por montar a peça entre em contato.
 
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