sexta-feira, 26 de abril de 2013

chore, Deus

inverno chegando e eu me amansando.
e vem uma saudade cósmica de tudo, de todos,
até de mim, já disse. De você, pássaro que não prendo

saudade de Deus também.
como vai, Deus?
tem visto o mundo, esse nosso aqui?

está mesmo chovendo
ou é Você chorando
porque não aguentou?

chore, Deus, chore sempre quando ficar triste (temo as inundações),
chore sobretudo nos sertões do Brasil, chore na África.
Se puder, desligue os tornados e os tsunamis
mas chore nos sertões do mundo
porque "o sertão está em todos os lugares"
como disse Rosa, que deve estar aí escrevendo sobre os sertões do céu. Tem?...
chore, Deus. Os homens hão de aprender a guardar suas lágrimas em cisternas
pra se lavar, beber e cozinhar.
E matar a sede dos bichos.
E não esqueça de chorar também sobre a aridez dos espíritos que bebem da seca,
molhando a mão, o bolso.

2 comentários:

  1. Muita sensibilidade nesse poema-oração!

    Lindo mesmo.

    Abraço do Pedra do Sertão

    ResponderExcluir
  2. Obrigada, poeta Araceli da Pedra do Sertão.

    ResponderExcluir

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