quarta-feira, 23 de outubro de 2013

quando não há falta

Algumas coisas são capazes de suspender nossos (eternos) sentimentos de falta. É como se voltássemos à nossa casa interior, onde somos saciados de tudo, aliás, de nada, porque de nada se é necessitado. Ali não há sinais de cultura, horários, comparações, vontade de reconhecimento, emulações, ressentimentos, projetos nem dejetos, sombras, medos, ansiedade, glória nem frustração, ideologias, vingança nem perdão. Ali deve estar a nossa forma original, o nosso ser intacto. Aqui fora é, talvez,  o boneco que o representa e que é lançado, desde cedo, ao vozerio do mundo, ao bafo das guerras sutis -sem falar dos estampidos das guerras ostensivas. Somos aqui fora uma espécie de expatriados... de si mesmos. Mas há coisas feitas por esses mesmos expatriados que os devolvem à casa original e a nós outros também. Isto, por exemplo:
vozes 'tocando' The Spring-Vivaldi

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Da palavra

Toda palavra traz em si a não-palavra.
O maior silêncio está por vezes
no que se diz, contido.

O que se gera no vácuo
inexoravelmente cumpre
a lei do habitar-se dele.

Dizer é querer revelar o que é
e nenhum ser será
tão perfeitamente exprimível
que perfeitamente se diga.

E quanta vez o dizer-se se desdiz
no escultórico trabalho
de se plasmar a Ideia...

Dizer e não-dizer coexistem.

(do meu livro "Sertania", 1978)
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